Geral
Durigan defende criação de formas para impedir que endividados com cartão de crédito recebam novos créditos
Ministro da Fazenda destaca a importância da inteligência financeira para evitar novos endividamentos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou nesta sexta-feira, 24, a necessidade de se utilizar a inteligência financeira e serviços de open finance para impedir que pessoas já endividadas continuem a tomar crédito. Segundo ele, é essencial incentivar a tomada de crédito por meio de linhas consideradas 'boas', ao mesmo tempo que se devem desestimular as linhas de crédito ruins.
"Temos que usar a boa e bem-sucedida estratégia de Open Finance, que já tem sido aplicada para reduzir spreads e aumentar a concorrência. O que me incomoda é que, enquanto sistema financeiro, mesmo sabendo que determinado consumidor possui cinco cartões de crédito e dívidas atrasadas, ainda se autoriza a emissão de um novo cartão com limite que, certamente, resultará em mais endividamento", exemplificou Durigan durante painel da Expert XP, na capital paulista.
Entre as linhas que ele considera como 'boas', Durigan mencionou a modalidade do crédito consignado privado, recentemente lançada pelo governo.
Questionado sobre a possibilidade de o governo ter facilitado excessivamente o acesso ao crédito à população, Durigan defendeu, por exemplo, o programa Desenrola. Ele afirmou que a iniciativa não tem como objetivo "defender os endividados".
"Não quero defender o inadimplente. O que estamos reconhecendo com o Desenrola é que muitas pessoas acumularam dívidas, especialmente durante a pandemia, e a gestão dessas dívidas é complexa. Quando analisamos os impactos, o cartão de crédito é o principal fator que afeta a vida das pessoas", detalhou.
De acordo com o ministro, a inteligência financeira deve também desestimular o uso do crédito ruim. "É preciso pensar duas vezes antes de adquirir um novo cartão de crédito. Se existir a opção de um consignado, este é um crédito que possui garantia e, geralmente, apresenta juros mais baixos", ressaltou.
Durante sua fala, Durigan também abordou o trabalho do governo no combate ao uso excessivo das apostas esportivas, as bets, no País, um segmento frequentemente associado ao endividamento. Ele mencionou que a proibição total das bets é um desafio, devido ao papel significativo que essas empresas desempenham, inclusive em anúncios em rádios e TVs.
No entanto, ele enfatizou a necessidade de se buscar alternativas, tratando as apostas esportivas como se fossem cigarros, através de políticas que evidenciem os malefícios dessas práticas. Durigan também informou que o governo tem aumentado tributos do setor para desincentivar as apostas.
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