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Quem são os investigados ligados ao caso Jeffrey Epstein que morreram nos últimos anos

Mortes de envolvidos em escândalos sexuais

Estadao Conteudo 22/07/2026
Quem são os investigados ligados ao caso Jeffrey Epstein que morreram nos últimos anos
Jeffrey Epstein - Foto: Reprodução

As investigações sobre Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma rede de exploração sexual de menores com ramificações internacionais, continuam produzindo desdobramentos. O episódio mais recente é a morte do caçador de talentos francês Daniel Siad, investigado por estupro e citado em documentos do caso.

Além de Siad, também morreram Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos apontado como colaborador de Epstein, e o próprio financista americano, encontrado morto em uma cela enquanto aguardava julgamento. Relembre, a seguir, quem eram esses personagens e qual foi o papel de cada um nas investigações.

Jeffrey Epstein

O financista norte-americano Jeffrey Epstein foi encontrado morto em agosto de 2019 em uma cela do Centro Correcional Metropolitano de Nova York, onde aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores. A perícia oficial concluiu que ele morreu por suicídio, mas o caso deu origem a diversas teorias da conspiração e segue cercado por questionamentos.

A morte ocorreu poucas semanas após sua prisão e interrompeu o processo criminal contra ele. Desde então, investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos levaram à divulgação de milhões de páginas de documentos relacionados ao caso, que revelaram a dimensão da rede de contatos de Epstein e sua atuação ao longo de décadas.

Jean-Luc Brunel

Considerado um dos principais colaboradores de Epstein, o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel foi encontrado morto em fevereiro de 2022 em uma cela da prisão de La Santé, em Paris. Ele estava preso desde dezembro de 2020 e respondia por acusações de estupro de menores, assédio e exploração sexual.

Fundador da agência MC2 Model Management, Brunel era acusado de recrutar jovens modelos para Epstein. Reportagens publicadas ao longo dos anos apontaram que adolescentes eram levadas para os Estados Unidos sob a promessa de oportunidades na carreira de modelo e, posteriormente, submetidas à exploração sexual.

O ex-agente também teve passagem pelo Brasil. Em abril de 2019, esteve em Brasília para visitar a agência Mega Model. À época, a empresa publicou nas redes sociais que Brunel participaria de uma seleção de modelos para Nova York. Posteriormente, após a divulgação das acusações, a agência informou que a visita durou cerca de 15 minutos, ocorreu sem agendamento prévio e que nenhuma modelo foi recrutada ou abordada.

Documentos divulgados posteriormente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos também mencionam um "grande grupo brasileiro", embora o conteúdo disponível não detalhe quem seriam essas pessoas nem qual seria sua eventual relação com o caso.

Daniel Siad

Daniel Siad foi encontrado morto na segunda-feira, 20, em sua residência em Colombes, na região metropolitana de Paris. A Promotoria de Nanterre informou que abriu uma investigação para esclarecer as causas da morte.

O caçador de talentos de modelos, de 69 anos, era investigado na França após denúncias de estupro apresentadas por diversas mulheres. Ele negava as acusações e afirmava que pretendia prestar depoimento para apresentar sua versão dos fatos.

Seu nome ganhou repercussão internacional após aparecer em mais de mil documentos desclassificados relacionados ao caso Epstein. A ex-modelo sueca Ebba P. Karlsson afirmou ter identificado Siad nesses arquivos antes de denunciá-lo por estupro e exploração sexual. Ela também o acusou de apresentá-la ao ex-diretor da agência Elite Gérald Marie, igualmente alvo de denúncias de violência sexual, que nega as acusações.

A morte de Siad provocou reação de vítimas e ativistas ligadas ao caso. Lisa Brinkworth, cofundadora do coletivo Victorious Angels - WE RISE, afirmou que o episódio representa mais um obstáculo para que as vítimas obtenham justiça, lembrando que situação semelhante ocorreu após a morte de Jean-Luc Brunel.