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Lei de reciprocidade 'não nos dá o direito de perder a razão', diz ministro Elias Rosa

Ministro do MDIC ressalta a importância da cautela nas negociações comerciais.

Estadao Conteudo 22/07/2026
Lei de reciprocidade 'não nos dá o direito de perder a razão', diz ministro Elias Rosa
Márcio Elias Rosa - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira, 22, que a Lei de Reciprocidade não dá ao Brasil o direito de perder a razão. Em entrevista à Bandnews, ele destacou a necessidade de cautela para evitar um efeito contrário.

"A lei não nos dá o direito de perder a razão. Mas ninguém pode perder a razão só porque tem a lei sobre seu fundamento. Eu queria deixar claro isso, o instrumento da reciprocidade está à nossa disposição", declarou.

Segundo o ministro, é essencial dimensionar qual medida adotar, tarefa que não é simples. "Em primeiro lugar, se ela não pode produzir um efeito negativo, ou seja, o prejuízo será maior aqui do que lá. Eu também gosto de dizer que, se você adotar a reciprocidade, você precisa ferir o adversário. Não apenas irritá-lo, porque senão você perde o controle e o domínio da negociação", afirmou.

De acordo com Elias Rosa, o Brasil negociou todos os pontos da seção 301 , que estudou na tarifa adicional dos EUA ao país. No entanto, ele explicou que é complicado entender quem tem “dificuldade para se conectar com a realidade”.

Para ele, se as causas da tarifaço fossem exclusivamente econômicas, o Brasil já poderia ter chegado a um acordo. Contudo, essas tarifas possuem um caráter mais de sanção do que de regulação do mercado. A solução, conforme disse, é diversificar os mercados, e o país tem condições de fazê-lo.

O ministro lamentou a diminuição da participação dos Estados Unidos na corrente de comércio brasileira, reconhecendo que esse país é um parceiro histórico e bem posicionado logisticamente em relação ao Brasil. Ele também destacou que a China conquistou o lugar dos norte-americanos.

"Os EUA são um parceiro comercial muito relevante. Não é razoável e nem bom que não tenhamos um acordo com eles. Acredito que não podemos, de maneira alguma, alimentar qualquer dissenso. A despeito do desaforo, precisamos continuar na mesa de negociação, buscando restabelecer a boa relação", completou.