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Liminar de última hora suspende julgamento de último réu envolvido no assassinato do ativista Kleber Malaquias

Ex-policial militar Marcos Maurício Francisco dos Santos seria julgado nesta segunda-feira (20); Ministério Público já recorreu da decisão para garantir nova data

Redação 20/07/2026
Liminar de última hora suspende julgamento de último réu envolvido no assassinato do ativista Kleber Malaquias
Liminar de última hora suspende julgamento de último réu envolvido no assassinato do ativista Kleber Malaquias - Foto: Arquivo

O desfecho na primeira instância de um dos crimes de maior repercussão política recente em Alagoas foi adiado. O julgamento do ex-policial militar Marcos Maurício Francisco dos Santos, apontado como o último réu a ser julgado pelo assassinato do ativista Kleber Malaquias, foi suspenso na manhã desta segunda-feira (20) no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL).

A sessão do Tribunal do Júri estava programada para começar às 8h, no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, na capital. No entanto, a defesa do acusado protocolou um pedido de urgência na última sexta-feira (17). A solicitação foi acolhida pelo desembargador Tutmés Airan de Castro durante o plantão judiciário, que concedeu uma medida liminar interrompendo a realização do plenário. A informação foi confirmada pela assessoria do Ministério Público de Alagoas (MPAL) após questionamentos da imprensa.

O MPAL reagiu imediatamente à decisão e interpôs um recurso no âmbito do TJ/AL. A instituição requer a reversão célere da liminar para que o Conselho de Sentença da 9ª Vara Criminal da Capital possa remarcar o julgamento o quanto antes.

O papel do réu no crime

Segundo a denúncia do Ministério Público, Marcos Maurício é acusado de integrar a organização criminosa responsável pela morte do ativista. A acusação aponta que o ex-PM atuou diretamente no monitoramento da rotina de Kleber Malaquias, repassando informações estratégicas aos executores para viabilizar o homicídio.

Histórico de denúncias e condenações anteriores

Kleber Malaquias foi assassinado a tiros no dia 15 de julho de 2020, dentro de um estabelecimento comercial em Rio Largo. O ativista era conhecido por sua forte atuação na internet, onde acumulava um histórico de denúncias de corrupção contra agentes públicos e políticos locais.

As investigações conjuntas da Polícia Civil e do MPAL revelaram um grupo organizado com divisão clara de tarefas para executar a vítima. Em fevereiro de 2025, o Tribunal do Júri já havia condenado quatro acusados pelo crime — incluindo ex-policiais militares e civis —, cujas penas somadas ultrapassaram 74 anos de reclusão.

A sessão que seria realizada hoje fecharia o ciclo de julgamentos em primeira instância de todos os réus pronunciados pelo assassinato do ativista. O caso segue aguardando o posicionamento do Tribunal de Justiça sobre o recurso do Ministério Público.