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Justiça nega liberdade a influenciador "PTK", preso em operação contra o Comando Vermelho
Defesa de Patrick Almeida alegou falta de provas e fragilidade em interceptação telefônica, mas Tribunal de Alagoas manteve a prisão preventiva por indícios de lavagem de dinheiro e ligação com facção
A Justiça de Alagoas negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do influenciador digital Patrick Almeida, conhecido como "PTK". A decisão foi proferida na última sexta-feira (17) pelo relator do processo, o desembargador Ivan Vasconcelos Brito Júnior.
PTK foi preso preventivamente no dia 3 de junho durante a Operação Morro do Alemão, que mirou a cúpula da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Ele é suspeito de integrar a organização e de atuar na lavagem de dinheiro obtido por meio do tráfico de drogas.
Contraponto da defesa
Os advogados do influenciador sustentam que a prisão é ilegal por "ausência de justa causa", classificando a acusação como genérica. A defesa argumentou que a principal linha de acusação se baseia em um diálogo interceptado em 2024, no qual uma suposta liderança do CV convidava o influenciador para disputar um cargo eletivo — convite que, segundo os advogados, foi recusado.
Além disso, a defesa apontou as seguintes fragilidades no inquérito:
Ausência de flagrante: Nenhuma arma ou droga foi apreendida com o influenciador no dia da prisão.
Fragilidade pericial: Não foi realizada perícia técnica de identificação vocal no áudio interceptado.
Falhas processuais: Apontamento de irregularidades na cadeia de custódia da prova digital e crítica ao uso excessivo de denúncias anônimas.
Com base nesses pontos, foi solicitada a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas.
A decisão judicial
Ao analisar o pedido, o desembargador Ivan Vasconcelos Brito Júnior rejeitou os argumentos defensivos. O magistrado destacou que a fase atual do processo não exige "certeza absoluta" ou prova plena de autoria, algo incompatível com a natureza de uma prisão cautelar.
"O decreto prisional não se ampara em elemento isolado, mas em investigação de elevada complexidade, desenvolvida ao longo de extenso período, com utilização de diversos meios investigativos regularmente autorizados", declarou o desembargador na decisão.
O relator também pontuou que o tempo de duração das investigações é justificado pela complexidade da estrutura criminosa apurada, descartando a tese de omissão ou excesso de prazo por parte do Estado.
Raio-X da Operação Morro do Alemão
Deflagrada no início de junho, a operação interestadual teve como foco desarticular núcleos do Comando Vermelho que operavam de forma integrada em Alagoas e no Rio de Janeiro.
Mandados expedidos: 51 ordens judiciais (sendo 21 de prisão e 30 de busca e apreensão).
Balanço: Nove pessoas foram presas até o momento nas cidades de Maceió, Marechal Deodoro e na capital fluminense.
Órgãos envolvidos: Ação coordenada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-AL), Polícia Civil (por meio da Dracco) e Polícia Militar (via Comando de Missões Especiais).
As ordens judiciais partiram da 17ª Vara Criminal da Capital. A SSP-AL reiterou que o combate às facções segue como prioridade e relembrou que a população pode colaborar enviando informações anônimas e sigilosas por meio do Disque Denúncia 181.
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