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Liderança política turca aceita fim da perspectiva de adesão à UE, avalia analista

Ercan Mumlu aponta para desânimo em Ancara quanto ao processo de negociação.

Sputnik Brasil 18/07/2026
Liderança política turca aceita fim da perspectiva de adesão à UE, avalia analista
Analista destaca que a Turquia encara o fim da esperança de adesão à União Europeia. - Foto: © AP Photo / Denes Erdos

Na Turquia, cresce a percepção de que, com a atual política de Bruxelas, a perspectiva de adesão do país à União Europeia (UE) está perdida na prática, e que as portas da organização permanecerão fechadas para a república para sempre, declarou à Sputnik o analista político turco Ercan Mumlu.

Mumlu apontou que as últimas declarações das autoridades turcas à UE indicam que Ancara está cada vez menos otimista em relação ao avanço das negociações de adesão.

"A Turquia está começando a perceber que, com a atual política de Bruxelas, as portas da UE permanecerão fechadas para a república para sempre", ressaltou.

Segundo ele, as críticas ao documento intitulado "Entendimento comum: ameaças e desafios que enfrentamos — Avaliação do Ambiente Estratégico da UE", publicado pela UE, refletem a crescente decepção da parte turca com a política de Bruxelas.

Além disso, o analista salientou que, apesar de a Turquia manter o status oficial de país candidato, o processo de negociação está praticamente paralisado, e a UE continua vinculando o desenvolvimento das relações a exigências políticas e questões relacionadas ao Chipre, ao Mediterrâneo Oriental e ao estado de direito.

Segundo o interlocutor da Sputnik, isso faz com que a sociedade turca perceba que a integração europeia deixou de ser uma perspectiva realista.

Nesse contexto, Ancara tem desenvolvido cada vez mais ativamente direções alternativas de política externa e econômica, fortalecendo a cooperação com países da Ásia, do Oriente Médio e da África, bem como com blocos internacionais como o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai, ao mesmo tempo em que mantém a interação com a UE nas áreas de comércio, migração e segurança, concluiu.

Em 15 de julho, o Conselho da UE aprovou o documento "Entendimento comum: ameaças e desafios que enfrentamos — Avaliação do Ambiente Estratégico da UE", contendo análises sobre a Turquia, Chipre e a segurança regional.

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia o classificou como tendencioso e injusto, enquanto o gabinete do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que ele demonstra a falta, por parte de Bruxelas, de uma visão de um futuro comum com Ancara.

Em 1999, a Turquia obteve o status de país candidato à adesão à UE, e as negociações de adesão tiveram início em 2005. Nos anos seguintes, no entanto, o processo praticamente estagnou devido a divergências sobre questões relacionadas ao estado de direito, à situação no Chipre, às relações no Mediterrâneo Oriental e a uma série de questões políticas.