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Após 3 semanas consecutivas em alta, Ibovespa tem queda cautelosa

Fatores globais e internos pesam sobre o desempenho do índice

Estadao Conteudo 17/07/2026
Após 3 semanas consecutivas em alta, Ibovespa tem queda cautelosa
- Foto: Depositphotos

Com o estreito de Ormuz ainda fechado e os ataques entre Estados Unidos e Irã, a alta superior a 4% do petróleo traz leituras dúbias para o Ibovespa e justifica, junto do vencimento de opções sobre ações, a volatilidade vista nesta sexta-feira, 17. Se, por um lado, o preço elevado do Brent apoia os lucros da Petrobras, segunda ação de maior peso do índice, as preocupações inflacionárias geram pressão sobre a política monetária e penalizam a renda variável.

O Ibovespa performou melhor que os índices de Nova York desde o início da sessão, pois Wall Street também teve de lidar com preocupações relacionadas à inteligência artificial (IA). Contudo, o índice da B3 perdeu o nível dos 174 mil pontos e renovou mínima à tarde, firmando uma queda moderada após os juros futuros acentuarem a alta, com papéis cíclicos liderando as baixas: Vivara e MRV caindo mais de 3% e Direcional e Yduqs cedendo mais de 2%.

"A guerra entre Estados Unidos e Irã tem puxado as Bolsas para baixo, porque o conflito no Estreito de Ormuz faz com que a inflação seja pressionada - o que é muito monitorado, pois determina a taxa de juros", comenta o especialista em renda variável Patrick Buss, da Manchester Investimentos.

Para o especialista em mercado de capitais e sócio-fundador da GT Capital, Josias Bento, a falta de previsão de uma trégua entre Washington e Teerã traz risco adicional para os mercados.

A sócia advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, nota que a alta das ações da Petrobras ajuda o Ibovespa a não cair tanto - e inclusive fez o índice testar leve avanço entre o fim da manhã e o início da tarde. Contudo, ela enfatiza que, a partir do momento em que os juros futuros tiveram alta mais firme, as empresas relacionadas ao consumo cíclico puxaram o índice para baixo.

Pela manhã, o mercado digeriu o IBC-Br de maio, que avançou 0,07% na margem, acima da mediana de queda de 0,20% das estimativas do Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), que iam de baixa de 1,06% a alta de 0,40%. Para Centeno, o resultado não altera a percepção de Selic a 14% ao fim de 2026, mas traz preocupações sobre uma possível estagflação - ou seja, inflação alta, mas atividade caindo - à frente.

Após máxima de 174.504,63 pontos (+0,39%) pela manhã, o Ibovespa cedeu para 173.285,28 pontos (-0,31%) à tarde, fechando com queda de 0,06%, aos 173.714,08 pontos, e giro financeiro de R$ 23,62 bilhões. A Petrobras subiu mais de 2,5%, mas os bancos recuaram em bloco - Itaú PN e Banco do Brasil ON com baixa superior a 1%, e Vale teve leve queda. No mês, a referência da B3 sobe 0,98% e, no ano, 7,81%.

Após três semanas consecutivas em alta, o Ibovespa inverteu o movimento e acumulou baixa de 2,33% de 13 a 17 de julho. Além da guerra no Oriente Médio, o tarifaço dos Estados Unidos - com possibilidade de retaliação - ao Brasil, pautas-bomba no Congresso e pesquisas eleitorais apontando desidratação da candidatura de Flávio Bolsonaro (na tese do mercado, mais fiscalista) prejudicaram a Bolsa brasileira.

Já a segunda-feira deve ser de agenda esvaziada, com boletim Focus, às 8h25, e balança comercial semanal, às 15h.