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México prende ex-governador de Baja California por suspeita de contrabando de combustível
Ernesto Ruffo Appel é acusado de envolvimento com o crime organizado.
Ernesto Ruffo Appel, ex-governador do estado de Baja California, no noroeste do México, foi detido na quinta-feira, 16, por suspeitas de participação no crime organizado e em operações ligadas ao contrabando de combustível, um dos negócios criminosos mais lucrativos do país, que envolve cartéis de drogas e também comprometeu vários funcionários e membros da Marinha.
A procuradoria federal informou sobre a prisão em uma breve mensagem na rede social X, sem fornecer o nome completo do detido. Contudo, o opositor Partido Ação Nacional (PAN) confirmou em um comunicado que se trata de Ruffo Appel, um membro de sua bancada que governou o estado fronteiriço com a Califórnia de 1989 a 1995, e pediu que a lei seja aplicada com imparcialidade, respeitando o devido processo legal.
Em sua mensagem, a procuradoria indicou que a detenção foi "resultado de uma investigação de alta complexidade relacionada a grandes operações de contrabando de combustível" realizadas por uma empresa do ex-governador.
Em julho de 2025, as autoridades mexicanas desferiram um dos maiores golpes contra as organizações criminosas dedicadas ao roubo de combustível, ao apreender mais de 15 milhões de litros de diesel, gasolina e destilado de petróleo que estavam em vagões-tanque parados nos trilhos de trem, perto de uma estação ferroviária no estado de Coahuila, limítrofe com o Texas.
Um dia após esse anúncio, o secretário de Segurança federal, Omar García Harfuch, confirmou que uma das empresas investigadas nesse esquema era a Ingemar, fundada por Ruffo Appel. Naquele momento, o empresário, em declarações à Milenio TV, negou qualquer irregularidade vinculada à sua companhia.
Autoridades americanas têm considerado há tempos que o roubo e o contrabando de combustível são a maior fonte de renda dos cartéis mexicanos, desvinculada do tráfico de drogas.
O PAN confia que o ex-político esclarecerá as acusações e assegurou que ninguém deve estar acima da lei. No entanto, pediu que a justiça seja aplicada com a mesma severidade a todos, afirmando que, enquanto se agiu de forma imediata com Ruffo Appel, o mesmo não ocorreu com Rubén Rocha Moya, governador de Sinaloa sob licença, a quem os Estados Unidos acusam de auxiliar o Cartel de Sinaloa.
Nas últimas duas décadas, o México acumulou uma lista de pelo menos 17 ex-governadores que foram presos por atos de corrupção, frequentemente vinculados ao crime organizado.
Ruffo Appel foi o primeiro governador mexicano que não pertencia ao Partido Revolucionário Institucional (PRI), o grupo político que governou o país por mais de sete décadas no século XX.
*Com informações da Associated Press (AP).
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