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Brasil prepara Lei da Reciprocidade para responder ao tarifaço dos EUA
Resposta ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (16) que utilizará a Lei da Reciprocidade para responder ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Em coletiva de imprensa em Brasília, ministros destacaram que a legislação será aplicada "no momento adequado" e ressaltaram que a medida não deve ser interpretada como uma retaliação, mas como um instrumento legítimo de defesa dos interesses nacionais.
Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou tarifas de 25% sobre diversas importações brasileiras, tornando o Brasil o primeiro país atingido pela nova estratégia tarifária do governo Donald Trump, baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. As medidas, que entram em vigor em 22 de julho, foram anunciadas após mais de 30 reuniões entre autoridades dos dois países e meses de negociações sem acordo.
O governo brasileiro considera a decisão unilateral e prepara a aplicação da lei como principal instrumento de resposta. Segundo as autoridades, o texto permitirá ao Brasil adotar medidas compatíveis com as ações impostas pelos Estados Unidos, preservando o espaço para a continuidade das negociações diplomáticas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a resposta brasileira ocorrerá no tempo considerado mais apropriado pelo governo. "O governo, no momento adequado, saberá como implementá-la", disse Alckmin.
Alckmin voltou a criticar a decisão do governo norte-americano de aplicar tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros, classificando a medida como "injusta e descabida". Ele também destacou que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação bilateral. "Não tem a menor justificativa", enfatizou Alckmin.
Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil permanece disposto a negociar com Washington, apesar da escalada comercial. "O que incomoda o governo dos EUA é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações", disse Vieira.
O chanceler reiterou que o governo continuará buscando uma solução negociada, ao mesmo tempo em que adotará medidas para proteger os setores afetados pelas novas tarifas.
Durante a coletiva, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, contestou os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar o tarifaço, especialmente as críticas ao Pix. Segundo Galípolo, as acusações não representam uma justificativa para a adoção das medidas comerciais. "Seria mais ou menos como tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, você prejudica a receita de quem tem caminhão-pipa, basicamente", comparou.
Na avaliação do presidente do Banco Central, o Pix tornou-se um sistema de pagamentos referência no mundo e não representa uma prática comercial desleal às empresas de cartão de crédito dos EUA. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as medidas norte-americanas não alterarão os fundamentos da economia brasileira. "Nossa estabilidade macroeconômica estará mantida a despeito da interferência externa dos EUA", disse Durigan.
"A gente vai seguir entregando recorde de emprego no país, mínima de inflação, recorde de balança comercial, de abertura de novos mercados, de investimento em infraestrutura", frisou.
Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que a prioridade imediata do governo é prestar apoio aos segmentos mais atingidos pelas novas tarifas. "O governo tem como prioridade agora atender os setores atingidos pela tarifação ilegal que nos foi imposta. Esses setores mais atingidos são o de madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, mobiliários, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Esses setores poderão contar com a ajuda do governo federal de diferentes formas".
Rosa acrescentou que o impacto das tarifas será limitado a uma parcela das exportações brasileiras. "Vamos ter cerca de 18% das nossas exportações para os EUA atingidas, levando em conta o ano de 2024. Levando em conta o ano de 2025, cai para 15%, ou US$ 5,8 bilhões. Temos sem tarifa 57% do que exportamos para os EUA", detalhou.
Na área ambiental, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, rejeitou as críticas feitas pelos Estados Unidos sobre o desmatamento e o comércio de madeira. "Reduzimos o desmatamento na Amazônia em 50% nos últimos três anos, e neste ano continuamos reduzindo", afirmou.
"Lançaram uma informação ainda mais falsa, que o Brasil estaria inundando o mercado com madeira ilegal. Isso é absolutamente inverídico. O Brasil participa no mercado internacional com apenas 0,65% do mercado internacional de madeira. Além disso, a nossa madeira não é a mesma que é produzida pelas indústrias norte-americanas", acrescentou Capobianco.
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