Geral
MP pede ao TCU apuração de indícios de irregularidades na aprovação do E32 pelo CNPE
Subprocurador destaca falta de estudos técnicos sobre a mistura de etanol na gasolina.
O Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu que a Corte de Contas apure o que o subprocurador, Lucas Furtado, classificou como "indícios de irregularidades" relacionados à alteração da política energética adotada em razão das repercussões do conflito entre o Irã e os Estados Unidos. A preocupação se concentra, em especial, na elevação temporária da mistura de etanol anidro na gasolina para 32%, aprovada na terça-feira, 14, pelo Comitê Nacional de Política Energética (CNPE).
O subprocurador destacou: "Há indícios de que a decisão tenha sido impulsionada predominantemente por critérios econômicos e conjunturais, sem a divulgação de estudos técnicos suficientemente detalhados sobre seus efeitos sobre a frota nacional, os consumidores e a segurança do abastecimento". Esse pedido já foi aceito pelo TCU.
Ainda assim, ele reconhece que a eventual ausência de divulgação não permite concluir, por si só, que nenhum estudo tenha sido realizado, mas revela a necessidade de que o processo administrativo integral seja submetido a controle.
O MP solicita que o Tribunal verifique se a elevação foi precedida de estudos técnicos suficientes, análise de impacto regulatório, avaliação de riscos, demonstração de economicidade, disponibilidade de oferta, adequada motivação e observância dos princípios da eficiência, razoabilidade, transparência e proteção do consumidor. O órgão também pede que sejam examinadas as possíveis consequências sobre a qualidade e a segurança dos combustíveis, a compatibilidade e a durabilidade de veículos e equipamentos, o consumo, os custos de manutenção, o abastecimento, o preço final e a segurança da frota nacional.
"O objetivo pode ser legítimo e compatível com a busca por maior segurança energética. Entretanto, a urgência econômica e a gravidade do cenário internacional não dispensam a Administração Pública de demonstrar, de maneira documentada, a viabilidade técnica, a adequação econômica, a segurança operacional e os impactos sociais da decisão", ressaltou.
Ele concluiu afirmando que a alteração na composição de combustíveis com efeitos nacionais não pode ser tratada como "simples mecanismo emergencial" de contenção de preços.
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