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FAO alerta para turbulências nos mercados globais de café, cacau e chá
Documento da agência citou desequilíbrios repentinos entre oferta e demanda
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou nesta terça-feira (14) que os mercados globais de café, cacau e chá enfrentam turbulências significativas devido a fragilidades estruturais.
Em relatório, a entidade explicou que mais de 90% das flutuações de preços decorrem de desequilíbrios repentinos entre oferta e demanda, frequentemente amplificados por especulações financeiras. O documento também destaca que a produção está concentrada nas mãos de pequenos agricultores de um número restrito de países em desenvolvimento, enquanto o processamento e o consumo ocorrem, em sua maior parte, em nações mais ricas.
Segundo a FAO, essa divisão geográfica ao longo da cadeia produtiva amplia as cadeias de suprimentos, aumentando a exposição aos custos de transporte e aos gargalos logísticos. Como consequência, choques globais acabam sendo intensificados nos mercados locais, ameaçando a renda dos agricultores.
A agência da ONU ressaltou ainda que, nos últimos anos, os preços globais de café, cacau e chá cresceram muito mais rapidamente do que os das respectivas commodities agrícolas. Brasil e Vietnã, juntos, respondem por quase metade da produção mundial de café, enquanto Costa do Marfim e Gana concentram mais de dois terços da produção global de cacau. Já a China é responsável por mais da metade da produção mundial de chá, uma concentração que torna esse mercado especialmente sensível a eventos climáticos locais.
O relatório aponta que a principal preocupação é a distribuição desigual do valor ao longo da cadeia de suprimentos. Mesmo quando os preços sobem, os pequenos produtores raramente são os principais beneficiados e continuam sendo os mais vulneráveis à pobreza e à insegurança alimentar.
Ao mesmo tempo, o impacto sobre os preços ao consumidor final costuma ser limitado, já que a matéria-prima representa apenas uma pequena parcela do custo dos produtos processados e embalados.
Para a FAO, esse ciclo vicioso precisa ser rompido por meio de políticas estruturais coordenadas que vão além da gestão de crises. Entre as medidas defendidas estão o incentivo a práticas agrícolas mais resilientes, o aumento da transparência dos dados sobre as safras para reduzir a especulação e a promoção de uma distribuição mais justa do valor ao longo de toda a cadeia de suprimentos.
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