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Commodities e CPI dos EUA impulsionam recuperação do Ibovespa, mas tensão geopolítica inibe avanços

Indicadores econômicos e riscos internacionais afetam o desempenho do índice brasileiro.

Estadao Conteudo 14/07/2026
Commodities e CPI dos EUA impulsionam recuperação do Ibovespa, mas tensão geopolítica inibe avanços
Ibovespa - Foto: Depositphotos

A valorização das commodities e a alta das bolsas em Nova York estimulam uma recuperação parcial do Ibovespa na manhã desta terça-feira, 14, após uma queda de 1,20%, encerrando a véspera aos 175.739,08 pontos. O avanço dos índices de ações nos Estados Unidos reflete o recuo de 0,4% no índice de preços ao consumidor (CPI) do país em junho, que superou a previsão de queda de 0,1%. Esse resultado diminui as apostas de altas de juros nos EUA em 2026.

"É um dado positivo. Isso sugere que a inflação está mais concentrada em apenas alguns itens", afirma Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. Com isso, os rendimentos dos Treasuries cedem, influenciando os juros futuros brasileiros.

No entanto, o risco geopolítico permanece no radar, especialmente em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Washington realizou a terceira noite consecutiva de ataques contra Teerã, bem como o bloqueio do Estreito de Ormuz.

O petróleo Brent apresentou alta de quase 5%, atingindo a máxima em US$ 87,55 o barril, mas reduziu o ritmo de valorização. Às 11h22, estava em alta de 2,33%, a US$ 85,24. O WTI avançava 1,92%, valendo US$ 79,62, após máxima de US$ 81,27 o barril. As ações da Petrobras operavam apenas com viés de alta.

Segundo Cima, a retomada das tensões pode estar sendo interpretada de forma excessivamente negativa, semelhante à reação otimista gerada pela notícia de um acordo de paz há quase um mês. "Se o conflito continuar, o preço do petróleo deverá ser consideravelmente mais alto. É uma crise de segurança; ninguém se arrisca a atravessar o Estreito de Ormuz, e agora o presidente Donald Trump menciona uma cobrança de pedágio de 20%", comenta.

Além de monitorar o conflito no Oriente Médio, o mercado analisa o CPI, os resultados financeiros de empresas americanas, como o banco JPMorgan, e o testemunho do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, à Câmara dos Representantes. Em um texto antecipado de seu discurso introdutório, Warsh destacou que a prioridade "número um" do banco central americano é ajustar adequadamente a política monetária e reiterou que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) não tolerará uma inflação persistentemente elevada.

Na China, os dados de exportação mostram um crescimento de 27% em junho em relação ao mesmo mês do ano passado, acelerando a alta de 19,4% registrada em maio. Este resultado superou as expectativas de analistas, que previam uma alta de 17,5% nas exportações. Nesta terça-feira, o minério de ferro fechou em alta de 1,81% em Dalian e 1,60% em Cingapura, impulsionando as ações do setor de metais, incluindo as da Vale (+1,96%), que caíram ontem.

Outra questão em análise é o novo tarifaço dos EUA ao Brasil. O relatório final sobre a taxação de 25% sobre produtos brasileiros, exceto grande parte dos itens agropecuários, será divulgado na quarta-feira, dia 15.

Às 11h29 desta terça, o Ibovespa subia 0,42%, aos 176.483,28 pontos, após uma alta de 0,82%, com máxima em 177.179,19 pontos e uma abertura na mínima em 175.742,87 pontos, apresentando variação zero.