Geral
Crescimento das mulheres no empreendedorismo enfrenta barreiras estruturais
Para a presidente do CMEC, Ana Cláudia Badra Cotait, principais dificuldades são a ausência de linhas de crédito, juros altos, sobrecarga de trabalho e falta de atualização do teto do MEI e Simples Nacional
A dupla ou tripla jornada de trabalho, tão conhecida pelas mulheres, se soma a uma série de dificuldades e desigualdades no mundo do empreendedorismo feminino, expressando barreiras estruturais que precisam ser vencidas. Uma delas é a falta de capital para o investimento inicial, agravada pela ausência de linhas de crédito específicas para as mulheres empreendedoras. E, mesmo quando vem o crédito, os juros para elas são mais elevados do que para os homens.
A avaliação é da presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), vinculado à Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Ana Cláudia Badra Cotait. Para ela, datas como o Dia Nacional do Associativismo, comemorado dia 15 de julho, abrem espaço para o debate sobre a importância das mulheres no empreendedorismo e quais dificuldades precisam ser superadas.
“Uma parcela reduzida dos recursos destinados a pequenos negócios chega às mulheres, algo em torno de 25%”, afirma a dirigente. Quanto à taxa de juros mais alta cobrada das empreendedoras, Ana Cláudia diz que essa realidade agrava desigualdades entre homens e mulheres nos pequenos negócios, aumentando o risco de endividamento e de fechamento prematuro.
“Além disso, a falta de uma rede de apoio, os desafios da maternidade e a responsabilidade pela liderança e finanças da família também podem comprometer o desenvolvimento dos pequenos negócios comandados por mulheres”, avalia a presidente do CMEC.
Para Ana Cláudia, a falta de atualização do teto de faturamento para microempreendedores individuais (MEI) e do Simples Nacional também compromete a expansão dos negócios. A proposta do setor produtivo é passar de R$ 81 mil para R$ 144,9 mil o limite do MEI, e contratação de até dois empregados (atualmente é apenas um); de R$ 360 mil para R$ 869 mil ao ano para microempresas; e de R$ 4,8 milhões para cerca de R$ 8,7 milhões para empresas de pequeno porte; além da atualização automática anual.
Em março deste ano, foi aprovada a urgência de votação do tema na Câmara dos Deputados, mas a discussão ainda está em curso. “O que as mulheres do associativismo pedem é atenção a essa pauta. A atualização dos tetos é urgente e deve ser tratada como justiça fiscal para o país”, defende.
Motor econômico
O empreendedorismo feminino representa um importante motor de crescimento econômico, geração de renda e inclusão social. Ana Cláudia aponta que o país possui mais de 10 milhões de mulheres à frente de negócios, representando aproximadamente 34% dos empreendedores brasileiros.
Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada em parceria com o Sebrae, 54,6% das pessoas que pretendem empreender até 2026 são mulheres, indicando uma tendência de crescimento da participação feminina no empreendedorismo.
Ana Cláudia afirma, ainda, que o empreendedorismo feminino contribui na geração de empregos, fortalece a renda familiar, aumenta a autonomia financeira e promove a inovação e a diversidade na economia. “Milhões de mulheres são donas de pequenos e médios negócios. São elas que sustentam suas famílias, movimentam a economia dos municípios e transformam empreendedorismo em independência financeira, inclusão social e desenvolvimento”, diz a presidente do CMEC.
Mesmo diante das dificuldades, Ana Cláudia recomenda o empreendedorismo feminino, com a formalização dos negócios, investimento em capacitação, conectividade e networking. “São etapas essenciais para crescer com mais segurança”, defende.
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