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Brasil atinge a metade do maior programa de cabos de internet em rios
O programa Norte Conectado já completou 6.630 km de infovias
A matéria enviada ontem, às 15h04, apresentava uma incorreção no título e no texto. O Ministério das Comunicações procurou a Broadcast para esclarecer que a infovia 07 foi construída anteriormente pelo Exército no âmbito do programa Amazônia Conectada e foi incorporada ao programa atual, o Norte Conectado. Portanto, são seis infovias prontas ao todo, e não cinco, como constava na matéria. Com isso, a extensão das infovias prontas totaliza 6.630 quilômetros, representando 50,2% do planejado, e não 45%, como mencionava anteriormente. Segue o texto corrigido:
Apesar dos atrasos causados pelas condições climáticas, o Brasil finalizou metade do que foi programado no seu programa de conexão à internet por meio de redes fluviais de fibra ótica, que é o maior do mundo nessa categoria.
O Programa Norte Conectado consiste na instalação de 13.200 quilômetros de cabos nos leitos dos rios amazônicos para conectar 70 localidades que sofrem com a falta de internet. O investimento total será de R$ 1,5 bilhão.
O valor foi pago pelas operadoras como contrapartida pelas licenças de 5G obtidas no leilão de 2021 realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Nesta gestão, o projeto recebeu o selo do "Novo PAC".
A rede abrangerá os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, onde a floresta e as distâncias dificultam a instalação de postes ou dutos para a passagem da fibra em grande parte do território.
Ao todo, serão nove infovias. A promessa inicial do governo era concluir tudo até 2025. Até o momento, porém, seis infovias estão prontas: as infovias 00, 01, 02, 03 e 04, além da 07, que já havia sido construída pelo Exército no âmbito do programa Amazônia Conectada e foi incorporada ao programa atual. Juntas, elas correspondem a 6.630 quilômetros, ou 50,2% do total planejado.
As demais infovias, 05, 06 e 08, estão em fase de planejamento e implantação, com entrega prevista para até 2028. O orçamento permanece o mesmo, sem aditivos.
"Nós enfrentamos problemas com as secas sucessivas na Amazônia nos últimos anos. Foi um período difícil que resultou nessa postergação", afirma a engenheira Gina Marques, presidente da Entidade Administradora da Faixa (EAF), que responde pela execução do Norte Conectado.
A instalação dos cabos é comum nos oceanos, conectando os continentes. Já nos rios, poucos países realizam essa tarefa, e apenas em trechos curtos. "Não existem casos comparáveis ao do Brasil", relata a presidente da EAF.
O trabalho requer balsas e mergulhadores. A dificuldade se deve ao fato de que os rios têm correnteza, pedras e bancos de areia que mudam constantemente de lugar. A profundidade pode variar até 18 metros entre a cheia e a seca, deixando os cabos expostos ao calor extremo. Além disso, há riscos de rompimento da rede devido à passagem de barcos e âncoras, o que exige monitoramento constante.
"As condições climáticas são fundamentais para realizarmos o trabalho", explica Gina. Por isso, há preocupação com os riscos que o "Super El Niño" previsto para este ano pode trazer. "Se houver uma mudança de temperatura, seca e outras condições, realmente precisaremos repensar o projeto como um todo, mas estamos preparados", salienta.
O projeto ainda prevê a instalação de 46 mini data centers em contêineres, localizados em pontos próximos aos rios. Dessas unidades, 23 já estão ativas (cada uma custou R$ 2 milhões). Elas contam com captação de energia solar, sistema de refrigeração, anti-incêndio, alarmes e câmeras de monitoramento, todos projetados para resistir a todo tipo de intempérie.
Setor privado e economia local
Uma vez que a rede é instalada, a operação e a manutenção ficam a cargo de um consórcio de provedores locais. Parte da capacidade da fibra ótica é destinada à internet de órgãos públicos (escolas, hospitais, prefeituras etc.). A outra parte é disponibilizada para que os provedores comercializem planos de internet para pessoas e empresas.
A infovia 04 - que liga Manaus a Boa Vista - foi oficialmente entregue nesta quinta-feira, 2. O projeto executado pela EAF custou R$ 115 milhões e agora será repassado a um consórcio formado pelas provedoras Ozônio Telecom, Aquamar e Instituto Evereste.
"Cada um precisa fazer suas contas, pois o custo mensal não é barato. Esse é o grande desafio", afirma o presidente da Ozônio, Adriano Vieira. Ele menciona que a manutenção exige mão de obra especializada, além da necessidade de cumprir prazos para consertos na rede submersa. Sua empresa, com sede em Manaus, possui fibra ótica em 40 cidades, o que gera sinergias com o programa estatal. "Temos uma infraestrutura muito grande na Região Norte. O programa complementa isso", diz Vieira, que atende a governos, empresas e provedores locais.
Para a economia, a chegada da infovia representa uma transformação significativa, analisa Carolina Lima, diretora comercial da WebFiber, de Boa Vista, e conselheira da Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abrint). "Em Roraima, anteriormente, apenas um cabo de fibra ótica, antigo, via aérea, instalados em postes estava disponível. Quando esse cabo se rompe ou em caso de queima, ficamos sem conexão ou com baixa capacidade", relata, destacando os transtornos enfrentados no dia a dia. "Agora a internet se tornará estável, pois haverá uma segunda via".
Nos últimos anos, a carência de internet foi suprida pela internet satelital da Starlink. A empresa de Elon Musk conta com mais de um milhão de clientes no Brasil, a maioria na Região Norte. No entanto, os provedores regionais ainda enxergam grandes oportunidades de crescimento com a fibra ótica, que oferece maior velocidade e preço reduzido. "Essas soluções via satélite têm suas limitações", argumenta Vieira, da Ozônio. Em sua perspectiva, a Starlink continuará atendendo as áreas mais remotas, onde a rede terrestre não se faz presente. Nas cidades, a banda larga por fibra se tornará predominante, segundo suas estimativas.
Rota para o Pacífico
O governo brasileiro também está buscando maneiras de expandir a rede para os países vizinhos da região, incluindo a criação de uma nova rota de tráfego de dados através do Oceano Pacífico. Isso se deve ao fato de que a cidade de Fortaleza concentra quase todos os cabos submarinos que chegam ao Brasil, o que representa riscos de interrupções nos serviços em caso de incidentes por ali.
As conversas para a expansão do Norte Conectado envolvem a Colômbia e o Peru, relata o Ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho. "O objetivo com essa saída de fibra para o Pacífico é garantir rotas alternativas, cada vez mais seguras, para nossa internet e assegurar a estabilidade dos serviços digitais na região amazônica".
*O jornalista viajou a convite da Entidade Administradora da Faixa (EAF)
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