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Brasília acredita que Washington deve manter tarifaço e avaliar ajustes na lista de exceções

Sputnik Brasil 13/07/2026
Brasília acredita que Washington deve manter tarifaço e avaliar ajustes na lista de exceções
Governo brasileiro avalia possíveis retaliações a novas tarifas dos EUA. - Foto: © AP Photo / Mark Schiefelbein

O governo brasileiro considera praticamente certa a aplicação das novas tarifas dos EUA e prepara uma reação diplomática dura, enquanto empresas norte-americanas pressionam por mais exceções e o governo Lula avalia possíveis retaliações pela Lei de Reciprocidade.

De acordo com um jornal de grande circulação no país, o governo brasileiro considera praticamente certa a confirmação das novas tarifas de 25% e 12,5% pelos Estados Unidos e prepara sua reação conforme a dimensão da medida. Para Brasília, o adiamento é improvável, salvo por cálculo político, já que o prazo para decisão da Casa Branca termina na próxima quarta-feira (15) e Washington tem reiterado que ele é "imexível".

As tarifas foram propostas pelo presidente norte-americano Donald Trump após investigações sobre temas como desmatamento ilegal, pirataria e Pix, seguidas de uma segunda rodada de sobretaxas por supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Em ambos os casos, os EUA apresentaram longas listas de exceções para evitar impacto nos preços domésticos.

Negociadores brasileiros avaliam que, mesmo com a confirmação das tarifas, o Departamento de Estado pode ampliar o número de exceções, atendendo à pressão de empresas norte-americanas que dependem de importações brasileiras. O Itamaraty identificou 43 grupos empresariais dos EUA pedindo a retirada de produtos brasileiros da lista por falta de substitutos internos.

Caso as tarifas sejam oficializadas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva deve reagir imediatamente com manifestações de indignação, repetindo argumentos já enviados aos EUA de que a estrutura tarifária brasileira é favorável às exportações norte-americanas e que novas sobretaxas seriam "inaceitáveis", segundo a apuração. A análise técnica da decisão deve durar alguns dias, incluindo a avaliação sobre acionar a Lei de Reciprocidade.

O governo também considera improvável que os EUA adiem a medida, já que a política industrial norte-americana tem sido guiada por tarifas e não houve concessões a outros países. Se o adiamento ocorrer, a expectativa é que venha acompanhado de justificativa para evitar disputas narrativas.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, tem defendido publicamente o adiamento e enviou manifestações ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) pedindo que a decisão fique para depois das eleições. Em audiência nos EUA, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (que está preso e cumpre pena por tentativa de golpe de Estado) afirmou que o momento é "o pior possível" para novas tarifas e que elas beneficiariam Lula.

Nos bastidores, auxiliares da diplomacia brasileira avaliam que figuras ideológicas do governo Trump, como o secretário de Estado, Marco Rubio, e o assessor presidencial Darren Beattie, podem tentar influenciar o cenário eleitoral brasileiro.

Um eventual adiamento também poderia ser interpretado como gesto político de Trump em favor de Flávio Bolsonaro, após encontros recentes com o senador e com Lula. Enquanto isso, o Brasil tenta evitar que a nova rodada de tarifas entre em vigor. Ela integra uma escalada iniciada há um ano, quando Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% e falou em "caça às bruxas" contra parceiros com quem os EUA teriam uma balança comercial desfavorável.


Por Sputinik Brasil