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Polícia Civil aponta esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado à família de suspeito de estupro em Alagoas

Apuração iniciada para localizar Victor Bruno da Silva Santos revelou movimentação superior a R$ 300 milhões, segundo a Dracco; polícia investiga uso da estrutura financeira para manter o foragido escondido

Redação 11/07/2026
Polícia Civil aponta esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado à família de suspeito de estupro em Alagoas
As investigações conduzidas pela Polícia Civil para localizar Victor Bruno da Silva Santos acabaram revelando um esquema de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e organização criminosa - Foto: Arquivo

As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Alagoas para localizar Victor Bruno da Silva Santos, conhecido como "Vitinho", acabaram revelando um suposto esquema de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e organização criminosa que, de acordo com a corporação, movimentou mais de R$ 300 milhões nos últimos quatro anos. A suspeita é de que parte desses recursos tenha sido utilizada para financiar a fuga do investigado enquanto ele permanecia foragido da Justiça.

Os detalhes da apuração foram apresentados na noite desta sexta-feira (10), durante entrevista coletiva concedida pelo delegado José Carlos, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), logo após a prisão de Victor Bruno. O jovem é investigado por dopar, estuprar, agredir e tentar matar Maria Daniela Ferreira Alves, de 19 anos, no município de Coité do Nóia.

Segundo o delegado, as investigações começaram com o trabalho da Delegacia de Capturas (Deic), responsável pelas diligências para localizar o suspeito. As dificuldades para encontrá-lo levaram a Polícia Civil a instaurar um novo inquérito para identificar a origem dos recursos que poderiam estar garantindo sua permanência em local desconhecido.

Com autorização da Justiça, os investigadores analisaram movimentações financeiras dos suspeitos e identificaram operações consideradas incompatíveis com as atividades econômicas oficialmente declaradas. Conforme a polícia, apenas o pai de Victor Bruno teria movimentado cerca de R$ 150 milhões no período de quatro anos. Já o grupo investigado, composto por aproximadamente seis pessoas físicas e jurídicas, teria realizado transações superiores a R$ 300 milhões no mesmo intervalo.

As investigações apontam que o grupo utilizava contas bancárias de terceiros, apontados como "laranjas", para movimentar recursos de empresas. A Polícia Civil também identificou indícios de irregularidades tributárias envolvendo duas empresas ligadas aos investigados, que recolhiam impostos considerados incompatíveis com o elevado volume financeiro movimentado.

Além das acusações relacionadas ao crime sexual, Victor Bruno passou a ser investigado por suposta participação em crimes de lavagem de dinheiro, fraude e sonegação fiscal. Para os investigadores, há elementos que indicam que a estrutura financeira investigada teria servido para oferecer suporte logístico e financeiro ao suspeito durante o período em que esteve foragido.

Durante a operação realizada nesta sexta-feira, equipes da Polícia Civil cumpriram mandados judiciais em sete imóveis ligados aos investigados. Foram apreendidos documentos, aparelhos celulares, computadores, dois veículos e aproximadamente R$ 90 mil em espécie. A Justiça também determinou o bloqueio de valores vinculados aos investigados, como forma de interromper a movimentação financeira sob suspeita.

De acordo com o delegado José Carlos, a operação busca desarticular o suposto esquema criminoso e impedir que novos recursos sejam utilizados para a prática de delitos ou para auxiliar integrantes da organização.

Relembre o caso

Victor Bruno da Silva Santos é investigado por dopar, estuprar, agredir e tentar matar Maria Daniela Ferreira Alves, de 19 anos, após uma confraternização escolar realizada em uma chácara pertencente à família dele, na zona rural de Coité do Nóia, em 6 de dezembro de 2024.

Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a jovem teria sido atraída ao local pelo investigado, dopada com medicamentos de efeito sedativo e submetida à violência sexual e agressões físicas. A vítima também teria sofrido asfixia, provocando graves lesões neurológicas.

Laudos toxicológicos identificaram a presença de medicamentos de uso controlado frequentemente associados à sedação de vítimas em crimes sexuais. Já os exames médicos apontam que Maria Daniela sofreu traumatismo craniano, permaneceu cinco dias em coma e ficou com sequelas neurológicas e motoras permanentes. Ela também foi diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático, síndrome do pânico, ansiedade e depressão, permanecendo sob acompanhamento médico especializado.