Geral
Autoridade palestina denuncia incentivos israelenses na Cisjordânia para expandir invasão
Benefícios fiscais visam aumentar a população de colonos
Benefícios e isenções fiscais concedidos por Tel Aviv a 64 assentamentos na Cisjordânia têm como principal objetivo incentivar e facilitar a expansão israelense no território.
A afirmação é do diretor do Departamento de Direito Internacional da Comissão de Resistência ao Muro e aos Assentamentos, Hassan Barijiyeh, em entrevista à Sputnik.
A Autoridade Tributária de Israel anunciou que os moradores de 64 assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada passarão a receber benefícios fiscais a partir do mês que vem, com efeito retroativo.
Segundo ele, muitos israelenses evitam se mudar para viver nos assentamentos, seja por reconhecerem a ilegalidade dessa prática, seja por não terem qualquer vínculo com essas terras.
Barijiyeh comentou que essas medidas de incentivo adotadas pelo governo de Benjamin Netanyahu se destinam especialmente a pessoas de baixa renda, grupos economicamente vulneráveis e novos colonos. Segundo ele, esses grupos estão sendo direcionados para viver na Cisjordânia de forma deliberada.
Ele ressaltou que elevar o número de colonos na Cisjordânia para 1 milhão é um objetivo estratégico declarado de Tel Aviv — hoje a população de colonos é de cerca de 750 mil pessoas.
O entrevistado acrescentou que as medidas ocorrem no contexto de uma política voltada ao deslocamento forçado de cidadãos palestinos, obrigando-os a deixar suas terras e vilarejos para que se concentrem em áreas residenciais superlotadas. Segundo ele, o principal risco dessa política é o esvaziamento da terra de seus habitantes originários.
Proposta sionista
O anúncio foi feito após o Knesset, parlamento israelense, aprovar uma medida promovida pelo partido Sionismo Religioso, que prevê a concessão desses benefícios aos assentamentos abrangidos pela legislação. A Casa já havia aprovado uma lei semelhante.
A Autoridade Tributária estimou que o custo da medida para o orçamento será de aproximadamente 130 milhões de shekels (R$ 221 milhões).
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