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IIF: Fluxos de capital para emergentes permanecem negativos, pressionados pela China

Saídas amenas em comparação com maio, mas foco na renda fixa.

Estadao Conteudo 10/07/2026
IIF: Fluxos de capital para emergentes permanecem negativos, pressionados pela China
- Foto: Reprodução

Os fluxos para portfólios de mercados emergentes permaneceram negativos em junho, pressionados pelo desempenho da China. No entanto, as saídas foram mais amenas em comparação com o mês de maio, conforme relatório divulgado pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF) nesta sexta-feira, 10.

As carteiras de emergentes registraram saídas de US$ 17,8 bilhões em junho, comparadas às saídas de US$ 25,2 bilhões em maio e entradas de US$ 51,1 bilhões em junho do ano passado.

De acordo com o IIF, a demanda por renda fixa se fortaleceu, mas não foi suficiente para compensar a grande retirada no mercado de ações, que, por sua vez, absorveu a pressão do menor apetite por risco e de um cenário de liquidez global menos favorável.

As saídas de fluxos de renda variável foram de US$ 46,1 bilhões, em comparação com US$ 35,2 bilhões em maio. Em junho de 2025, foram registradas entradas de US$ 8,5 bilhões. Neste primeiro semestre, as saídas de ações somaram US$ 81,1 bilhões, ante US$ 19,5 bilhões no mesmo período do ano passado.

No entanto, os fluxos para renda fixa ajudaram a amortecer o impacto da fuga das ações. Segundo o IIF, as entradas de recursos em dívidas em mercados emergentes subiram para US$ 28,3 bilhões em junho, contra US$ 10 bilhões em maio, registrando aumento em todas as regiões. Embora ainda abaixo dos US$ 42,7 bilhões registrados em junho de 2025, esse montante representa uma entrada mensal forte considerando as condições de mercado, segundo o relatório. Nos primeiros seis meses de 2026, os fluxos alcançaram US$ 179,8 bilhões, superando os US$ 141,7 bilhões do ano passado.

"A mensagem do primeiro semestre é clara: os mercados emergentes ainda atraíram capital no total, mas apenas porque as entradas para dívida compensaram as liquidações persistentes de ações", afirma a IIF.

A instituição destaca que a China foi um dos principais obstáculos para o desempenho dos mercados emergentes em junho. Os fluxos para ações chinesas mudaram de uma entrada de US$ 8,1 bilhões em maio para uma saída de US$ 14 bilhões em junho, refletindo uma deterioração de US$ 22,1 bilhões. Já os fluxos para renda fixa continuaram negativos, mas reduziram as saídas, com US$ 3,7 bilhões em junho, ante US$ 4,3 bilhões em maio.

"Na prática, os mercados emergentes, excluindo a China, ficaram praticamente equilibrados em junho, com as entradas de capital em dívida compensando quase totalmente as saídas de capital em ações", diz o relatório.

Para os próximos meses, o Instituto de Finanças Internacionais avalia que o risco é que o cenário de liquidez se torne menos favorável, justamente no período em que a volatilidade do petróleo volta a aumentar.