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Haddad critica taxa de juros do Banco Central

Ex-ministro afirma que BC cria problema desnecessário ao manter Selic elevada

Estadao Conteudo 10/07/2026
Haddad critica taxa de juros do Banco Central
Fernando Haddad - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, 10, que o Banco Central (BC) "cria um problema desnecessário" ao manter a taxa básica de juros em 14,25% ao ano.

Durante entrevista ao programa No Osso, organizado pelo grupo Derrubando Muros, Haddad ressaltou que a Selic não precisava ter atingido 15% no ano passado e que o BC deveria ter iniciado o ciclo de cortes mais cedo. Segundo ele, essas são suas duas principais objeções à atual política monetária.

"O que está endividando o Estado é a taxa de juros, não é outra coisa", afirmou o ex-ministro. "Por isso, tem que baixar a taxa de juros. Você não tem como fazer um superávit primário que compense essa taxa de juros. Você vai matar as pessoas para pagar essa taxa de juros. Então, o que está errado é a taxa de juros."

O petista indicou que, pela primeira vez em muitos anos, um presidente (o atual, Luiz Inácio Lula da Silva) encaminhará ao Congresso, no fim do mandato, uma proposta de Orçamento com superávit. Segundo ele, isso não ocorre desde o segundo mandato de Lula, já que Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) não deixaram previsões orçamentárias superavitárias para seus sucessores.

O ex-ministro frisou ainda que a continuidade do processo de saneamento das contas públicas, que teriam se deteriorado entre 2013 e 2022, pode permitir uma mudança radical na política monetária após as eleições. Para Haddad, a atual política de juros poderá voltar à normalidade com o avanço do ajuste fiscal.