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Como as big techs dos EUA, como o Google, atuam contra a soberania de Cuba? Analista explica (Vídeos)

Cenário complexo destaca a influência das empresas digitais sobre a realidade cubana.

Sputnik Brasil 10/07/2026
Como as big techs dos EUA, como o Google, atuam contra a soberania de Cuba? Analista explica (Vídeos)
Análise mostra como big techs influenciam a soberania de Cuba em meio ao cenário social atual. - Foto: © Sputnik / Aleksei Vitvitsky

Os cubanos enfrentam um dos momentos mais complexos de sua história. Para além do sufocamento político e econômico, ainda precisam lidar com a influência das grandes empresas norte-americanas que controlam plataformas digitais que moldam e direcionam fluxos de informação na Internet. Esse cenário complexo reacende o debate sobre soberania digital.

No início deste século, a globalização era uma temática bastante presente no cenário internacional, e na realidade cubana não era diferente. Com isso, não se percebeu o quanto o avanço da tecnologia também poderia ser uma arma geopolítica, conforme elucida Vanessa Oliveira, jornalista e autora do livro "Google em Cuba: colonialismo de dados na reaproximação Washington-Havana".

"No começo dos anos 2000, o fato de que a Internet era uma herança da Guerra Fria e que tinha uma relação muito grande com os EUA foi diluído. O Google e outras big techs passaram por um período de construção de imagem. Durante a minha tese, trago como hipótese que foi difícil para o governo cubano ir contra essa máxima de que permitir a entrada dessas empresas não seria algo ameaçador à sua soberania", disse.

Outro ponto levantado por Vanessa é que as redes sociais, assim como outras plataformas digitais que distribuem e controlam o fluxo informacional, não apenas mudaram a dinâmica da comunicação social, mas também o comportamento das pessoas. No caso cubano, isso agravou ainda mais a pressão externa contra o governo, uma vez que a própria população se torna o público-alvo das big techs estadunidenses.

"No começo deste século, havia duas visões: uma de liberdade de expressão irrestrita e ilusão com a tecnologia e, do outro lado, o medo de ciberataques. Porque Cuba foi atacada durante toda a sua história. O que analiso é que houve uma demora [cubana] para buscar alternativas tecnológicas e, no ano da reaproximação com os EUA [em 2014, no governo Obama], essas empresas já tinham tamanho demais", comenta.

Google se insere na sociedade cubana via soft power

Com o discurso de modernização como forma de integração e apoiando movimentos culturais cubanos, a pesquisadora explica como o Google passou a se inserir no cotidiano na prestação de serviços, mas também no fortalecimento de sua imagem localmente, tendo uma equipe visitado o país pela primeira vez em julho de 2014.

"[Inicialmente] o Google toma cuidado em não se misturar tanto com grupos dissidentes no cenário [político] cubano. Eles aparecem como um braço diplomático e vão oferecer serviços e, mais adiante, vão participar da vida política e cultural, em festas e lançamentos de marcas de roupa. Isso é uma imersão de soft power, uma coisa diferente do que acontece, por exemplo, no [governo] Trump 2", destaca.

Vanessa contextualiza que, nos idos da década de 2000, não havia um debate tão intenso sobre soberania digital como na atualidade. O ponto-chave que chamou a atenção de especialistas ocorreu a partir da Primavera Árabe, quando revoltas surgidas em diversos países foram organizadas por meio de redes sociais geridas por big techs.

"Já existiam algumas críticas, mas a partir de 2010, com a Primavera Árabe, acendeu-se o sinal de alerta para pesquisadores e jornalistas prestarem atenção no que, de fato, estava acontecendo. Então, toda essa movimentação vai criar uma tensão entre ativistas e acadêmicos para olhar esse fenômeno de uma maneira um pouco mais multifacetada", observa.

Big techs impactam a compreensão da realidade

Nesse sentido, os algoritmos acabam privilegiando discursos rasos que validam ideias que não condizem com a verdade e, com isso, transformam influenciadores em autoridades em determinados assuntos, como aponta a pesquisadora.

"Há uma estrutura com determinadas plataformas que permitem uma radicalização. É isso que os algoritmos fazem. Eles permitem que se radicalize, seja qual for a ideia, se tem relação com a verdade ou não. O que está em jogo é o tempo de tela, mais se está fazendo essa máquina girar e transformando pessoas insignificantes em grandes influenciadores. Existe uma lógica que, de fato, é bastante nociva", conclui.

O domínio de grandes corporações de tecnologia dos EUA no cenário internacional, a proximidade de seus proprietários com a Casa Branca e as manifestações em diversos países a partir dessas redes sociais deixam evidente a contradição entre o avanço tecnológico e o exercício da democracia plena, sem interferência estrangeira.


Por Sputnik Brasil