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Mídia: mercado vê atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA como fraca e sem defesa técnica do Brasil
Participação na audiência do USTR é considerada ineficaz por empresários e analistas.
A fala de Flávio Bolsonaro na audiência do USTR frustrou empresários e analistas, que esperavam argumentos técnicos contra o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros; o senador propôs um tom político e pode evitar o desgaste caso as sobretaxas avancem.
A participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) foi vista como ineficaz por empresários e analistas, que esperavam uma defesa técnica contra a possível sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo apuração de um jornal de grande circulação no país, o setor privado avaliou que o senador não apresentou argumentos econômicos sólidos diante da ameaça comercial.
A expectativa era de que ele levasse dados sobre impactos nas cadeias produtivas, efeitos para consumidores e prejuízos para empresas norte-americanas. Em vez disso, sua fala substituiu o político, mencionando corrupção, Pix e cartões de crédito, pontos considerados periféricos ao debate que abordam sua clara preocupação eleitoral e não econômica.
Os empresários classificaram a intervenção como superficial. Em cinco minutos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, citou o calendário eleitoral brasileiro e afirmou que as tarifas importadas agora seriam "o pior momento possível", porque o cenário político pode mudar em 90 dias.
Ainda de acordo com a apuração, no mercado financeiro, a leitura é de que o argumento eleitoral não deve influenciar o USTR, cuja decisão segue critérios técnicos e se baseia principalmente em dados apresentados por empresas e associações setoriais.
Falando à mídia brasileira, Daniel Teles, da Valor Investimentos, avaliou que Flávio buscou se posicionar como interlocutor político com Washington, mas sua intervenção teve impacto neutro no processo. As empresas, segundo ele, têm muito mais peso na decisão do órgão norte-americano.
Na avaliação de Paulo Bittencourt, da MZM Wealth, também consultada pela mídia, a fala do principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do fim do ano, foi institucionalmente neutra, mas politicamente negativa para o senador do PL. Para ele, o episódio pode ser explorado por adversários e não deve ampliar o alcance eleitoral de Flávio.
O ex-ministro Maílson da Nóbrega afirmou que o USTR não deve adiar tarifas por causa das eleições brasileiras, embora reconheça a imprevisibilidade do governo Trump. Ainda assim, vê-se risco político para Flávio caso o tarifaço seja antecipado.
Entre interlocutores do mercado, cresce a preocupação de que a medida seja associada às disputas internacionais no Brasil, permitindo ao governo Lula reforçar o discurso de defesa da soberania comercial e cobrir a oposição — especialmente a Flávio — eventualmente prejuízos a exportadores, empregos e preços.
Por Sputinik Brasil
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