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Governo brasileiro determina expulsão de suposto espião russo preso em Brasília desde 2022

Sergey Cherkasov está no Brasil há mais de 15 anos e foi preso em 2022 após tentativas de entrada em outros países.

Estadao Conteudo 08/07/2026
Governo brasileiro determina expulsão de suposto espião russo preso em Brasília desde 2022
- Foto: Ilustração de IA

O governo brasileiro decidiu, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, expelir Sergey Vladimirovich Cherkasov, um suposto espião russo que está no País há mais de 15 anos e se encontra preso em Brasília desde 2022. A decisão de expulsão foi assinada pela coordenadora de processos migratórios, Alessandra Teixeira de Araújo, e publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira, 6.

O texto determina que Cherkasov, com base no artigo 54 da Lei de Migração (13.445/2017), está proibido de retornar ao Brasil pelos próximos 30 anos, contados a partir do momento em que deixar efetivamente o País.

Sergey é acusado de integrar uma rede de espiões russos que utilizava o Brasil como trampolim para se infiltrar em outros países e obter informações estratégicas para a Rússia. Ele vive em território brasileiro, pelo menos, desde 2010, e assumiu a identidade de Victor Muller Ferreira para conseguir a cidadania portuguesa e se tornar cidadão europeu.

O russo foi capturado há cerca de quatro anos, após tentar entrar na Holanda com um passaporte brasileiro e outros documentos falsos em março de 2022. Ele havia sido aprovado para um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, mas teve a fraude descoberta por autoridades holandesas e americanas.

Deportado para o Brasil, ele foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Dois meses depois, passou a cumprir pena de 15 anos e a responder a processos por possíveis atos de espionagem, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e uso de documento falso.

Sergey solicitou à Justiça brasileira a extradição para a Rússia, onde o governo alegava que ele fazia parte de uma rede internacional de tráfico de drogas e pedia seu retorno para ser julgado em seu país de origem.

Na ocasião, o Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição, mas a condicionou à conclusão de um inquérito da Polícia Federal em São Paulo. Em dezembro de 2024, no entanto, o ministro Edson Fachin negou a extradição, justificando que Sergey ainda tinha "pendências penais" no Brasil.

Conforme reportagens do Estadão em 2023, Sergey construiu de forma minuciosa o personagem Victor Muller Ferreira. Um documento de quatro páginas encontrado nas investigações da Polícia Federal mostrava o roteiro que o russo deveria seguir para tornar crível a história fictícia que sustentava seu disfarce.

Entre as mentiras, ele alegava ter perdido a mãe durante o parto e possuía uma suposta descendência alemã, que justificaria seu sotaque, apesar de afirmar ser natural de Niterói, no Rio de Janeiro. Contava ter sido cuidado por uma amiga de sua mãe e que a vida o levou a morar em várias cidades, incluindo Brasília.

O registro de sua entrada no País é de 2010. Na história criada por ele, Sergey teria ido para a Europa por alguns anos e voltado ao Brasil naquele ano para resolver uma situação com o pai, que residia na capital federal.

Enquanto esteve no Brasil, Sergey conseguiu utilizar as identidades falsas para estudar na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, de onde tentava conseguir estágios em agências governamentais e organismos internacionais.

Porém, ele acabou sendo descoberto por autoridades americanas e holandesas ao tentar realizar um estágio no Tribunal Penal Internacional em Haia.

Os investigadores descobriram que o russo mantinha um esconderijo em Cotia, na Grande São Paulo, onde guardava equipamentos e mensagens. O objetivo era que o local funcionasse como um ponto de apoio para o esquema de espionagem, permitindo que informações e dados fossem recuperados por outros integrantes da organização.

O esconderijo foi descoberto a partir de dados encontrados no celular que Sergey utilizava no momento da prisão em Guarulhos. A Polícia Federal encontrou dispositivos no local e os repassou ao FBI, o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos. (Colaborou Vinicius Valfré)