Geral
Flávio Bolsonaro propõe zona de livre comércio nas Américas à margem do Mercosul
Pré-candidato sugere AFTA inspirada no NAFTA durante visita a Washington.
Pré-candidato defende criação de uma "AFTA", inspirada no antigo NAFTA, durante viagem a Washington, mas proposta esbarra nas regras do Mercosul.
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, durante uma transmissão ao vivo nesta quarta-feira (8), que pretende propor a criação de uma área de livre comércio envolvendo Brasil, Estados Unidos, México e Canadá, inspirada no antigo NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio). Segundo ele, a iniciativa poderia evoluir para um Acordo de Livre Comércio das Américas (AFTA).
"Não tem o NAFTA? A minha ideia é cortar essa letrinha N e passar a usar o AFTA, Acordo de Livre Comércio das Américas, onde o Brasil pode se incluir", afirmou. Flávio explicou que pretende apresentar a proposta caso seja eleito presidente, argumentando que as economias brasileira e norte-americana são complementares.
Ao defender a iniciativa, o senador citou o recente acordo comercial firmado entre o governo do presidente argentino Javier Milei e os Estados Unidos, afirmando que centenas de produtos passaram a ter tarifa zero. Segundo o senador, a Argentina também poderia integrar futuramente essa área de livre comércio, ampliando o mercado consumidor do bloco.
A proposta, no entanto, levantaria questionamentos sobre sua compatibilidade com as regras do Mercosul. Atualmente, o bloco estabelece uma política comercial comum e determina que negociações de acordos de livre comércio com terceiros países sejam conduzidas de forma conjunta pelos membros.
Embora haja discussões recentes sobre maior flexibilização dessas regras, especialmente defendidas pela Argentina e pelo Uruguai, o Brasil continua vinculado aos compromissos assumidos no âmbito do Mercosul.
Flávio está em Washington desde o último domingo (5), onde participou, na terça-feira (7), de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil. O órgão avalia a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com recomendação prevista para ser apresentada até 15 de julho.
Segundo o parlamentar, informações de bastidores indicam que o USTR deverá recomendar a aplicação da sobretaxa. Diante desse cenário, ele afirmou que pretende aproveitar sua agenda em Washington para apresentar a ideia de uma área de livre comércio continental como alternativa para aprofundar as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.
Por Sputinik Brasil
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