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Fachin diz que crime organizado é 'tragédia contemporânea' e prega combate a bets ilegais
Ministro fala sobre regulação do mercado de apostas durante inauguração de nova vara judicial em SP.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin , classificou o avanço das facções criminosas como uma tragédia contemporânea e atestou que uma forma das mais eficazes de enfrentá-las é sufocar seus mecanismos de lavagem de dinheiro através de plataformas de apostas online, as apostas .
A relação entre o mercado ilegal de apostas no País e o crime organizado é, na percepção de Fachin, "um tema estruturalmente relevante para despertar cada vez maior a necessidade de uma regulação financeira que esteja atenta para este grave problema social e de segurança pública".
“Sabemos que, infelizmente, há um mercado ilegal e clandestino que permanece à margem do Estado e, mesmo nas atividades aparentemente ilícitas, na criação de estruturas empresariais aparentemente ilícitas, também há a prática de muitos delitos que devem ser coibidos, como a lavagem de dinheiro, além da integração com outras atividades criminosas, que é o tráfico de drogas, o contrabando, os jogos ilegais, a extorsão, a corrupção”, disse o ministro.
A declaração de Fachin sobre apostas ilegais foi dada nesta quarta-feira, 8, durante a apresentação da nova estrutura especializada do Tribunal de Justiça de São Paulo, criada para impedir que o Primeiro Comando da Capital (PCC) fortaleça seus tentáculos no Estado.
A medida transforma atualmente as 1.ª e 2.ª Varas de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital nas 1.ª e 2.ª Varas Estaduais de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, além de criar a 3.ª Vara Estadual da mesma especialidade e uma Vara Estadual das Garantias, com destaque exclusivamente à fase investigativa desses delitos, além da Vara Especializada em Crimes contra a Ordem Estadual Tributária e Econômica e Crimes em Licitações e Contratos Administrativos.
Na avaliação de Fachin, o projeto de combate às facções capitaneado pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Francisco Eduardo Loureiro , deve servir de modelo para os demais Estados. “Eis que o tema da macrocriminalidade, infelizmente, se espalhou em todo o País”, afirmou o ministro.
Ao lado de Fachin, o presidente do maior tribunal de justiça do País defendeu uma “reformulação urgente no mercado de capitais” para frear as táticas de ocultação e branqueamento de ativos do crime organizado. Para Loureiro, fundos de investimento com titular anonimizado e criptomoedas servem “uma maravilha para a lavagem de dinheiro”.
“Não há razão para que alguém tenha um ativo patrimonial no Brasil de forma anônima”, prega o desembargador.
"O dinheiro anônimo foi produto ou tem origem em outros crimes. Isso deve ser batido de forma absolutamente segura e firme, mediante alteração da legislação que rege o mercado de capitais", propõe o desembargador.
Fachin ponderou: "Na perspectiva do combate ao crime organizado, o Poder Judiciário comparece no limite de suas respectivas atribuições. Por isso, levamos a efeito um conjunto de atitudes e práticas no que diz respeito à criminalidade da lavagem de capitais por meio das apostas, que é uma outra preocupação que o Poder Judiciário está tendo e o uso indevido dessas empresas para promover a lavagem de capitais. Esse é um tema extremamente importante."
Quem tomou as decisões do tema da lavagem de dinheiro do crime organizado no Supremo, segundo esclareceu Fachin, foi o ministro Flávio Dino , junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em junho, Dino determinou ajustes no plano de restrição do governo, que combate fraudes e atuação de empresas sem autorização no mercado de capitais.
O cenário das apostas ilegais a serviço do crime organizado é um tema de “caráter transnacional”, alertou o presidente do STF. “Os serviços estão localizados fora do Brasil em empresas em outras nações, portanto em outras jurisdições, a utilização para via desses procedimentos de criptoativos e além da fragmentação internacional das transações que dificultam investigações, bloqueios patrimoniais e recuperações de ativos”, explicou.
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