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Ibovespa recua, em meio à tensão entre EUA e Irã, mas alta do petróleo amortece queda

Conflito externo e commodities influenciam mercado brasileiro

Estadao Conteudo 08/07/2026
Ibovespa recua, em meio à tensão entre EUA e Irã, mas alta do petróleo amortece queda
Ibovespa - Foto: Depositphotos

O agravamento do esforço entre Estados Unidos e Irã , que empurra as cotações do petróleo na próxima para alta a 5%, guia o Ibovespa na sessão desta quarta-feira, 8, de agenda vazia de indicadores. No exterior, o destaque é ata do Federal Reserve (Fed), às 15 horas.

Segundo Bruna Sene , analista de renda variável da Rico , o mercado brasileiro deve seguir condicionado aos desdobramentos externos, refletindo a preocupação com o repasse do petróleo mais caro à inflação.

O documento do banco central dos EUA refere-se à última reunião de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), quando o juro básico foi mantido no intervalo de 3,50% e 3,75% ao ano. Nesta etapa, os investidores buscarão pistas sobre os próximos passos do Fed. Enquanto isso, as bolsas americanas e europeias cederam, movimento que atingiu as asiáticas.

Para Pedro Moreira , da One Investimentos , ata não deve dar sinais sobre os juros americanos, pois a gestão do presidente do Fed, Kevin Warsh , não deve ser pautada por prescrição. No comunicado de política monetária em 17 de junho, o Fed promoveu uma revisão significativa, eliminando referências explícitas a possíveis ajustes futuros nos juros e adotando um texto mais enxuto.

“Os ativos devem operar mais em torno do conflito geopolítico hoje quarta-feira e nos próximos dias”, conforme Moreira, da One.

Além da alta do petróleo, a mineração de ferro subiu 0,88%, em Dalian, na China, fatores que podem estimular as duas principais ações do Índice Bovespa - Petrobras e Vale (-3,33%). No entanto, os papéis da mineradora recuperaram cerca de 3%, após o Morgan Stanley rebaixar a recomendação da Vale de sobreponderação (equivalente à compra) para equal-weight (neutro).

Ao mesmo tempo, os tempos com inflação elevada e com a política monetária global jogam para baixo alguns papéis mais sensíveis ao ciclo econômico na B3 , em reflexo ao avanço dos juros futuros nesta manhã.

A escalada do petróleo, cuja cotação máxima do Brent atingiu US$ 79,26 o barril mais cedo, ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , afirmar que o memorando de entendimento entre EUA e Irã "acabou". Ao mesmo tempo, Trump permitiu a possibilidade de continuidade de contatos diplomáticos.

O mercado nesta quarta reage à escalada da tensão entre EUA e Irã, com os ataques americanos realizados na noite de ontem elevando a aversão ao risco global, reforça João Debom , sócio da Alude Capital .

Neste ambiente, o petróleo avança perto de 5% e estimula as ações da Petrobras, que amortecem um pouco a queda do Índice Bovespa, mas, segundo Debom, o efeito líquido é negativo, em linha com o movimento de baixa das bolsas no exterior.

Ainda ficam no foco o noticiário político e questões fiscais, com repercussão da audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que discutiu a aplicação de novas tarifas sobre as exportações brasileiras.

Na terça-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,25%, aos 172.020,68 pontos. Às 11h43, o Índice Bovespa cedia 0,9566%, aos 170.886,22 pontos, ante mínima em 169.972,40 pontos (-1,19%) e abertura na máxima em 172.017,57 pontos (variação zero).

A Natura liderou o grupo das altas (6,21%). A empresa informou, em caráter excepcional, estimativas preliminares sobre o desempenho financeiro do segundo trimestre de 2026. Ações ligadas ao petróleo também ocuparam esse grupo, caso de Petrorecôncavo (3,23%) e Petrobras - PN: 2,06% e ON: 1,68%.