Geral
Ibovespa encerra o mês em queda com novas tensões entre EUA e Irã
Valorização da Petrobras minimiza perdas do índice.
O retorno das tensões entre Estados Unidos e Irã resultou na segunda queda consecutiva do Ibovespa. Ainda assim, o índice cedeu menos do que o Nasdaq e o S&P 500, impulsionado pela valorização da Petrobras, que se beneficiou do ganho de 5% do petróleo no pregão eletrônico.
Em um segundo plano, os investidores prestaram atenção às declarações do candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, na audiência promovida pelo USTR sobre práticas comerciais do Brasil. Para gestores de renda variável, o impacto das declarações é considerado mais político do que econômico, especialmente com as eleições se aproximando.
Outro foco de atenção recaiu sobre a política monetária. Embora o IGP-DI tenha registrado uma queda de 0,79% em junho, abaixo da mediana das estimativas do Projeções Broadcast (previsão de recuo de 0,60%), o dia viu uma abertura para a curva de juros, ocasionada pela aversão a risco global em decorrência do cenário no Oriente Médio. Na quarta-feira, o foco estará na ata do Federal Reserve (Fed).
O Ibovespa chegou a recuar 0,58%, atingindo a mínima de 171.454,66 pontos, e a subir 0,64%, alcançado a máxima de 173.543,67 pontos pela manhã. Com um giro financeiro de R$ 20,67 bilhões, fechou em queda de 0,25%, aos 172.020,68 pontos, apagando a alta do mês de julho (0,0%). As ações da Petrobras ON (2,65%) e PN (1,77%) suavizaram o recuo de 2,04% da Vale ON e das ações de bancos, que chegaram a recuar até 2,62% (Unidade do Santander Brasil), exceto uma leve alta do Bradesco ON (0,06%). Na semana, o índice caiu 1,18% e, no ano, avançou 6,76%.
O pregão foi marcado por relatos de ataques atribuídos ao Irã contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, mesmo com Teerã mantendo negociações com os Estados Unidos. Para o especialista em renda variável da Manchester Investimentos, Felipe Cima, a incerteza sobre o fim do conflito no Oriente Médio é a principal justificativa para a queda do Ibovespa nesta terça-feira, 7.
Nesta tarde, a aversão a risco aumentou após o Departamento do Tesouro dos EUA revogar a autorização para produção, distribuição e venda de petróleo e produtos petroquímicos com origem no Irã. Como resultado, os contratos do Brent e WTI chegaram a saltar mais de 5% no pregão eletrônico, e as ações da Petrobras intensificaram os ganhos.
O sócio da One Investimentos, Rodrigo Alvarenga, observa que a aversão a risco pode ser medida pelo preço do barril de petróleo e acrescenta que os relatos de ataques a navios no Estreito de Ormuz demonstram que uma paz duradoura entre EUA e Irã "continua sob impasse". O Brent está de volta a US$ 75, enquanto o WTI se encontra acima de US$ 70 por barril.
Na audiência do USTR, Flávio Bolsonaro defendeu mais tempo de negociação para evitar que as novas tarifas de 25% dos EUA passem a valer em 15 de julho. Segundo o senador, a taxação nesse momento seria prejudicial, às vésperas da eleição.
Cima, da Manchester Investimentos, considera "curioso que Flávio tenha argumentado que as tarifas viriam no pior momento possível, uma vez que seu irmão, Eduardo, antes se vangloriava de influenciar as decisões políticas do governo americano". Já Alvarenga, da One, ressalta que os argumentos de Flávio podem gerar volatilidade do ponto de vista político.
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