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Fechamento câmbio: Dólar volta a R$ 5,15 com aumento das tensões entre EUA e Irã

Alta da moeda americana é reflexo de tensões geopolíticas e expectativa de aperto monetário nos EUA.

Estadao Conteudo 07/07/2026
Fechamento câmbio: Dólar volta a R$ 5,15 com aumento das tensões entre EUA e Irã
- Foto: Reprodução

O dólar acentuou o ritmo de alta na reta final dos negócios, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior, diante da piora da percepção de risco geopolítico. O gatilho foi a decisão dos Estados Unidos de revogar a licença para venda de petróleo iraniano, em resposta aos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz.

As taxas dos Treasuries subiram com a escalada dos preços do petróleo, que pode respingar nas expectativas de inflação. O contrato do Brent fechou com ganhos de 3,01%, a US$ 74,16, mas chegou a avançar mais de 5% no pregão eletrônico. Operadores afirmam que a perspectiva de alta dos juros nos EUA pesa sobre as divisas emergentes e impede que o real se beneficie da melhora dos termos de troca com a sustentação do petróleo em níveis elevados.

Com máxima de R$ 5,1637, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,41%, a R$ 5,1528, após uma sequência de três sessões de queda. A moeda americana recua 0,20% nos cinco primeiros pregões de julho, depois de avanço de 2,38% em junho. No ano, as perdas são de 6,12%.

O economista Fabrizio Velloni observa que uma eventual retomada da tendência de alta do petróleo pode esquentar as apostas em aperto monetário nos EUA, sobretudo após o tom duro adotado pelo novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no mês passado.

"O ambiente global é de um dólar mais forte. Os investidores ainda tentam entender como o Fed vai se portar se a inflação não começar a ceder", afirma Velloni, ressaltando que eventuais retrocessos no processo de negociação de paz entre EUA e Irã, que já era visto com desconfiança, aumentam a busca por proteção na moeda americana.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia cerca de 0,20% no fim da tarde, na casa dos 101,050 pontos, após máxima de 101,126 pontos. O Dollar Index ainda recua pouco mais de 0,10% em julho, depois de ganhos de mais de 2% em junho, quando atingiu o maior valor em mais de um ano.

Investidores aguardam a divulgação nesta quarta-feira, 8, da ata do encontro do Fed de junho, quando a maioria dos dirigentes da instituição passou a projetar alta dos juros neste ano. No fim da manhã, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse que estava menos preocupado com a inflação no curto prazo em razão da queda dos preços da energia.

Pesquisa divulgada pelo Fed de Nova York, porém, mostrou aumento das expectativas de inflação dos consumidores americanos no horizonte de um ano, de 3,5% em maio para 3,7% em junho - o maior nível desde setembro de 2023.

O economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, observa que o tom mais duro do Fed fortalece globalmente o dólar e aponta para uma diminuição do diferencial de juros. "O real ainda é uma das moedas com melhor desempenho no ano, mas o carry trade está se tornando cada vez menos atraente", afirma.