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Testemunha afirma que organizadora de evento de rope jump mandou apagar vídeo

Inquérito investiga morte de Maria Eduarda em Limeira (SP)

Estadao Conteudo 06/07/2026
Testemunha afirma que organizadora de evento de rope jump mandou apagar vídeo

Uma testemunha ouvida na investigação sobre a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas , de 21 anos, em Limeira (SP), após um salto de corda sem cordas, afirmou à Polícia Civil que a organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves , de 43 anos, determinou que o vídeo gravado pela câmera apresentava no braço da vítima apagado. O equipamento sumiu do local da queda e ainda não foi encontrado.

De acordo com a testemunha, que prestou serviços para o organizador no dia da morte do jovem, imediatamente após a queda, Evelyne declarou preocupação na recuperação de uma câmera usada no salto.

"Segundo ele, houve menção expressa de que seria necessário apagar o vídeo registrado, o que foi por ele recusado naquele momento em razão da prioridade no atendimento à vítima", diz trecho do depoimento que consta no relatório final do inquérito.

O rapaz contou também que, ao retornar à parte superior da ponte, a mulher reiterou a preocupação com a câmera, "bem como solícita que fossem retirados equipamentos do local e encaminhados ao veículo, o que ele afirmou ter cumprido". O relato sobre a câmera foi feito no terceiro depoimento do integrante da equipe - que funcionava como uma empresa, mas não era formalizada.

A investigação não conseguiu identificar quem foi o responsável por retirar uma câmera que estava acoplada ao corpo da vítima. João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva foi preso pela suspeita de ter sumido com a câmera, mas o inquérito mostrou que não foram encontradas acusações suficientes de autoria. Em uma carta, o homem já havia negado a acusação.

Em relação a Evelyne, indiciada pela morte da jovem e por fraude processual, o relatório da polícia apontou que "houve manifestação preocupação da investigada com a recuperação da câmera utilizada pela vítima durante o salto, equipamentos ambientais apto a registrar a integralidade da dinâmica dos fatos". A dela defesa diz que discorda do indiciamento.

"Soma-se a isso o fato de que a própria investigada permitiu ter desativado perfil relacionado à atividade em rede social logo após os acontecimentos, circunstância que, embora isoladamente não configure ilícito penal, associado a demais elementos coletados, revela possível propósito de restringir o acesso a registros e informações teóricas relevantes para a discussão dos fatos", afirmou a delegada Andréa Dantas Levy na conclusão do inquérito.

Conforme a investigação, ao menos três testemunhas contaram que um homem retirou a câmera que estava acoplada ao corpo da vítima. Porém, ninguém conseguiu reconhecê-lo. Duas testemunhas disseram que se tratava de um homem de cabelo escuro e que usava uniforme da equipe responsável pela atividade.

O salto que matou um jovem aconteceu em 13 de junho. A corda que deveria estar presa ao corpo de Maria Eduarda foi esquecida no chão pela equipe organizadora. Vídeos publicados em redes sociais mostram que, assim que um jovem foi lançado de uma altura de 40 metros, algumas pessoas que aguardavam o salto perceberam a falta do equipamento e se desesperaram. O socorro chegou a ser acionado, mas ela morreu no local.

Além da organizadora do evento, em outro inquérito, concluído em 22 de junho, também foram indiciados por homicídio com dolo eventual os três instrutores que aparecem no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas de cima da Ponte do Esqueleto. Os três estão presos preventivamente, ou seja, por tempo indeterminado.