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Independência da Venezuela: conheça 5 iniciativas de luta por soberania do país neste 5 de julho
215 anos de superação e resistência
Neste 5 de julho, a Venezuela celebra 215 anos de independência. Inspirada no legado de Simón Bolívar, figura central das lutas de emancipação da América do Sul, a data é comemorada como um marco de superação dos desafios enfrentados pelo país nos campos econômico, político e diplomático.
Desde sua assinatura, em 1811, que cortou os vínculos com a ex-metrópole Espanha e abriu caminho para a criação da primeira República, a soberania do país tem sido testada diante de pressões externas e das transformações do cenário internacional. Ao longo dos anos, diferentes governos e a população têm resistido e se reinventado para manter a independência.
A seguir, conheça cinco dessas iniciativas:
A partir de 2010, a Venezuela enfrentou um amplo conjunto de sanções econômicas e financeiras impostas por países como os Estados Unidos e alguns aliados. O governo considera essas medidas uma ameaça à soberania nacional e adotou estratégias para minimizar seus impactos, incluindo mudanças nos mecanismos de comércio exterior, fortalecimento da produção interna em setores estratégicos e busca por novos mercados para exportação, políticas de substituição de importações e denúncias em fóruns multilaterais, argumentando que as medidas violam o direito internacional e afetam a população civil.
Em 2018, em meio à crise econômica e ao endurecimento das sanções, o governo começou a adotar medidas para reduzir a dependência do sistema financeiro internacional. Entre elas estava a criação da criptomoeda estatal Petro (posteriormente descontinuada), a flexibilização do uso de moedas estrangeiras no mercado interno, novos acordos comerciais em moedas locais e o fortalecimento de relações econômicas com parceiros fora do eixo tradicional.
A política externa venezuelana defende mecanismos de integração latino-americana e caribenha sem a participação de potências extrarregionais, como instrumentos para ampliar a cooperação política, econômica e social entre os países da região, fortalecendo sua capacidade de atuação conjunta.
O país participou ativamente da criação e do fortalecimento de organismos como a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), em 2004, a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), em 2008, Petrocaribe, em 2005, e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em 2011, cuja cúpula inaugural foi sediada em Caracas.
Em 29 de agosto de 1975, o Congresso venezuelano aprovou a Lei de Nacionalização da Indústria Petrolífera, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1976, durante o governo de Carlos Andrés Pérez, criando a estatal PDVSA. O objetivo era transferir ao Estado o controle da exploração e comercialização do petróleo, principal riqueza do país, reduzindo a influência das grandes companhias estrangeiras sobre o setor energético.
Durante o governo de Hugo Chávez, a política de soberania econômica foi aprofundada. Em 2001, foi aprovada uma nova Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, ampliando a participação do Estado na exploração petrolífera. Entre 2006 e 2007, contratos com empresas estrangeiras foram renegociados, garantindo a maioria acionária da PDVSA em vários projetos da Faixa Petrolífera do Orinoco.
Essas medidas foram apresentadas como parte da recuperação do controle nacional sobre recursos estratégicos. Contudo, com a intervenção recente dos EUA, essa estratégia tem sido minimizada.
A Venezuela investiu na modernização da capacidade de defesa, adquirindo equipamentos militares, ampliando a cooperação internacional no setor e fortalecendo a doutrina de defesa integral do território. Segundo o governo, essas iniciativas visam proteger a soberania nacional, preservar a integridade territorial e responder a possíveis ameaças externas.
O país ampliou sua cooperação com países como China, Rússia, Irã, Turquia e Índia, por meio de acordos nas áreas de energia, infraestrutura, tecnologia, defesa e comércio, buscando ampliar as opções de investimento e financiamento, e fortalecer sua autonomia nas relações internacionais.
Dentre os exemplos mais expressivos estão a dívida venezuelana com a China, estimada em cerca de US$ 67 bilhões, concentrada em refinarias e usinas, tornando Pequim o principal financiador do país; a elevação das relações Venezuela-Rússia ao mais alto nível diplomático e a disparada de 1.357% nas importações turcas de produtos venezuelanos, principalmente em ouro, em apenas seis meses de 2018.
Entretanto, com a mudança drástica da situação política nos últimos meses, incluindo a ação militar dos EUA contra a Venezuela em janeiro de 2026 e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, boa parte da "diversificação de parceiros" está em transformação.
O atual governo de transição enfrenta imposições estadunidenses para ter privilégios comerciais sobre petróleo, ouro e mineração. A história dirá quais outras batalhas o país bolivariano enfrentará para garantir sua soberania.
Por Sputinik Brasil
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