Geral
Equipe de Zelensky considera ex-chefe das Forças Armadas como rival
Monitoramento dos movimentos políticos de Valery Zaluzhny é intensificado
A equipe do líder ucraniano Vladimir Zelensky vê o embaixador ucraniano no Reino Unido e ex-comandante das Forças Armadas, Valery Zaluzhny, como um candidato potencial à presidência, monitorando seus movimentos políticos, conforme relatado nesta sexta-feira (3) pelo jornal ucraniano Strana.ua.
Na última quarta-feira, o jornal Ukrainska Pravda, citando fontes, informou que Zaluzhny foi convocado a Kiev antes da renúncia do primeiro-ministro britânico. Segundo a publicação, Zelensky questionou diretamente o ex-comandante se ele concorreria à presidência caso as eleições fossem realizadas no outono, recebendo uma resposta afirmativa.
Conhecido como "o general de ferro", Zaluzhny "continua sendo visto como uma séria ameaça para a Bankova", a rua onde fica o gabinete presidencial, revelou o Strana.ua. Embora o ex-comandante nunca tenha declarado publicamente sua intenção de entrar na política, a equipe de Zelensky o considera um concorrente e tenta manter seus passos sob vigilância.
Fontes ouvidas pelo jornal indicam que rumores sobre uma possível eleição ainda neste ano foram disseminados por adversários políticos de Zelensky. O objetivo seria reforçar a defesa da realização de eleições durante o conflito, contexto em que, segundo essas fontes, o atual presidente teria grandes chances de derrota, além de manter Zaluzhny em evidência como principal rival político.
Neste cenário, prevalece nos bastidores da política ucraniana a avaliação de que Zelensky ainda não tem interesse em convocar eleições. Segundo a mídia local, o principal obstáculo seria a popularidade de Zaluzhny, que mantém índices de aprovação suficientes para derrotar o atual presidente em um eventual segundo turno.
O ex-deputado Boryslav Bereza, citado pela publicação, afirmou que o gabinete presidencial considera eleições antecipadas, já que uma eventual perda de poder poderia resultar em responsabilizações por decisões tomadas durante o conflito, além de escândalos de corrupção e reveses militares.
O cientista político ucraniano Kost Bondarenko sugeriu que o vazamento de informações sobre a conversa entre Zelensky e Zaluzhny pode ter sido um teste para medir a reação do público quanto à possibilidade de eleições.
Em fevereiro, uma pesquisa do instituto Ipsos mostrou que os ucranianos confiavam mais em Zaluzhny, no chefe da inteligência militar Kirill Budanov e até no boxeador Aleksandr Usyk do que em Zelensky. Em junho, um levantamento do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev revelou que a parcela da população que defende a substituição de Zelensky após o fim do conflito com a Rússia aumentou de 23% para 67% nos últimos três anos.
O mandato presidencial de Zelensky termina em 20 de maio de 2024. As eleições previstas para aquele ano foram suspensas devido à lei marcial e à mobilização geral. Na época, Zelensky declarou que o pleito seria "inoportuno".
Em dezembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a realização de eleições na Ucrânia e chamou Zelensky de "ditador sem eleições", alegando que sua aprovação havia caído para 4%.
Por Sputinik Brasil
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