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Kuiussi Khisêtjê, liderança indígena e sobrinho do cacique Raoni, morre aos 80 anos
Cacique foi uma importante figura na luta pelos direitos indígenas
O cacique Kuiussi Khisêtjê, liderança do povo indígena Khisêtjê e sobrinho do cacique Raoni, faleceu nesta sexta-feira, 3, aos 80 anos. A causa do falecimento não foi divulgada.
O povo Khisêtjê reside na terra indígena Wawi, situada dentro do Parque Indígena do Xingu, no norte do Estado de Mato Grosso. Em nota divulgada nas redes sociais, a Associação Indígena Khisêtjê expressou seu luto e fez um relato sobre a trajetória de Kuiussi.
Segundo a associação, o cacique assumiu a liderança dos Khisêtjê muito jovem, antes dos 20 anos, após a morte de seu pai. "Embora não falasse português e não soubesse ler ou escrever nessa língua, sua inteligência, sabedoria, coragem e profunda visão política fizeram dele uma das maiores lideranças indígenas Khisêtjê", enfatizou a organização.
Na década de 1990, preocupado com a expansão da agropecuária na bacia do rio Suiá-Miçu, Kuiussi liderou a luta pela reconquista do território tradicional dos Khisêtjê, conseguindo o reconhecimento e a demarcação da terra indígena Wawi. O cacique também buscou a demarcação das terras onde mora desde a juventude, que ficaram fora da área demarcada.
Em mensagem nas redes sociais, o Instituto Raoni manifestou solidariedade à família de Kuiussi e ao povo Khisêtjê, ressaltando que seu legado na defesa dos territórios, da cultura e dos direitos indígenas perdurará por gerações.
"Kuiussi Khisêtjê dedicou sua trajetória à defesa de seu povo, de seu território, dos direitos dos povos indígenas e da preservação dos costumes, saberes e tradições Khisêtjê. Sua caminhada foi marcada pela coragem, pela sabedoria e pelo compromisso permanente com a proteção da vida, da cultura e das futuras gerações", relatou o Instituto Raoni, que também destacou a relação de respeito e afeto com Raoni na luta pelos povos originários.
Raoni está internado na UTI
O cacique Raoni também enfrenta problemas de saúde. Aos 94 anos, o líder indígena foi internado no dia 19 de junho no Hospital São Paulo, da Unifesp, com "obstrução intestinal, desidratação e pneumonia por aspiração". Na última quarta-feira, 1º, Raoni foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após apresentar um quadro de hemorragia digestiva alta.
O defensor da Floresta Amazônica foi transferido para a UTI para monitoramento do quadro de saúde e permanece "estável, consciente, respondendo a comandos, com dreno de tórax, sem febre, respirando ar ambiente e aceitando melhor a dieta oral", segundo o último boletim divulgado pelo hospital.
Não é a primeira vez que o líder kayapó enfrenta uma hospitalização neste ano. Em maio, ele esteve internado para tratar uma hérnia e foi diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva e problemas cardíacos.
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