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Dólar cai 0,76% com correção em dia positivo para divisas emergentes

Moeda americana encerra a sexta-feira cotada a R$ 5,1689 em meio a dados fracos da produção industrial brasileira.

Estadao Conteudo 03/07/2026
Dólar cai 0,76% com correção em dia positivo para divisas emergentes
Dólar fecha em queda após alta recente - Foto: Reprodução

Após dois preços girando acima de R$ 5,20, nos maiores níveis desde o final de março, o dólar à vista fechou nesta sexta-feira, 3, em queda de 0,76% , a R$ 5,1689, com mínimo de R$ 5,1658. Os operadores afirmam que o ambiente favorece as divisas emergentes no exterior e a recuperação do apetite pela bolsa doméstica, após dados fracos da produção industrial no Brasil aumentarem as apostas em corte adicional da taxa Selic, abrindo espaço para que o real se recupere das perdas recentes.

Com a ausência de negócios nas bolsas de Nova York e no mercado de Treasuries – fechada em razão da antecipação do feriado de 4 de julho nos EUA –, a liquidez nesta sexta-feira foi reduzida, o que pode ter exacerbado os movimentos da taxa de câmbio. Em todo o caso, com o tombo, o dólar praticamente zerou a alta na semana ( 0,03% ). A moeda americana avançou 0,11% frente ao real nos três primeiros pregos de julho, depois de uma valorização de 2,38% em junho.

Para o especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, o movimento do câmbio “reflete principalmente uma correção técnica”, após a recente rodada de depreciação do real. “No cenário doméstico, o único dado relevante foi a produção industrial de maio, que ficou abaixo do esperado, reforçando a percepção de desaceleração, na margem, da atividade econômica”, afirma Shahini.

Referência do comportamento da moeda americana, o índice DXY operou ao redor da estabilidade, pouco abaixo dos 100,900 pontos. O iene exibiu queda de mais de 0,10% frente ao dólar, o que estimula apostas em eventual intervenção do Banco do Japão. Graças sobretudo ao tombo de quinta, após dados já esperados da geração de emprego nos EUA em junho, o Dollar Index terminou a semana com perda de 0,50% .

Para o estrategista de câmbio Francesco Pesole, do banco ING, o payroll de junho torna muito arriscado a possibilidade de o mercado voltar a projetar duas altas de juros nos EUA neste ano, embora não tenha sido suficiente para ensejar uma "reprecificação" maior das expectativas.

“Os mercados ainda podem manter expectativas de pelo menos um aumento até a divulgação do CPI, em 14 de julho”, afirma, em nota, Pesole, em referência ao índice de inflação ao consumidor nos EUA em junho. "Embora os dados reforcem nossa visão de baixa do dólar no segundo semestre, não vemos o DXY entrando em uma tendência sustentada de queda. O DXY pode se estabilizar na faixa entre 100,000 e 101,500 pontos nas próximas semanas."

O gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, Marcelo Bacelar, pontua que, antes mesmo da divulgação da folha de pagamento de junho, já via um mercado de trabalho acomodado, com crescimento médio dos déficits abaixo da inflação. Bacelar vê possibilidade de que haja uma redução das apostas na alta de juros pelo Fed até o fim do ano, em caso de leitura benigna da inflação ao consumidor.

“Isso pode levar a uma valorização de divisas emergentes, mas eu estou neutro em relação ao real. O carrego ainda é elevado, mas pode cair com cortes adicionais da Selic.

Para Bacelar, os indicadores econômicos mais recentes – IPCA-15 de junho abaixo das expectativas e o Caged de maio com geração menor de vagas do que o esperado – sugerem que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode ter espaço para reduzir mais a taxa básica. “Mais um dado de inflação comportado pode fortalecer a tendência de continuidade do ciclo de cortes dos juros, o que é negativo para a moeda”, afirma.