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Com 17 estreantes, 62º FEFOL renova o elenco de Roraima ao Rio Grande do Sul
Da estreia de Roraima no festival ao congo capixaba de 80 anos, estreantes do Festival do Folclore de Olímpia trazem bacamarte, boi de mamão, afoxé, folia de reis, quadrilha junina e dança gaúcha ao Recinto do Folclore
Olímpia, julho de 2026 — O 62º Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL) chega ao Jubileu de Alecrim com uma expressiva renovação de elenco. Entre os mais de 70 grupos confirmados para a edição de 2026, que acontece de 1º a 9 de agosto, com entrada gratuita, 17 sobem pela primeira vez ao palco do festival. Sob o tema “Aquele Abraço” e com o Rio de Janeiro como estado homenageado, os estreantes desenham um mapa vivo da cultura popular brasileira, que vai de Roraima, no extremo norte, ao Rio Grande do Sul, no extremo sul.
A safra de inéditos confirma a vocação do FEFOL de abrir espaço para manifestações que resistem nos próprios territórios de origem. São bacamarteiros, bandas de congo, bumba meu boi, boi de mamão, boi malhadinho, afoxé, coco de roda, reisado, folia de reis, quadrilhas juninas, grupos de matriz indígena e danças tradicionalistas gaúchas, cada um carregando a memória de uma comunidade.
Roraima estreia no festival
O destaque simbólico fica com o Grupo Folclórico Tribo Waiká, de Boa Vista: além do grupo, é a primeira vez que o estado de Roraima participa do FEFOL. Nascido em 2020, em plena pandemia, o coletivo defende a matriz indígena e cabocla da Amazônia e foi um dos contemplados pelo programa Rouanet Norte, do Ministério da Cultura, com o projeto “Um Canto em Defesa da Vida”.
Do congo de oito décadas aos bois das duas pontas do país
A força das tradições centenárias aparece na Banda de Congo Amores da Lua, de Vitória (ES), fundada em 1945 e hoje conduzida pelo Mestre Ricardo Sales, presidente da Federação de Mestres de Congo do Espírito Santo — manifestação reconhecida como patrimônio imaterial do estado. Da Ilha de Marajó vem o Grupo Cultural e Parafolclórico Eco Marajoara, de Soure (PA), que há 37 anos une dança, encenação e o batuque do tambor marajoara à consciência ambiental amazônica.
O bumba meu boi se apresenta em duas faces. De Maceió (AL), o Bumba Meu Boi Águia de Ouro soma 43 anos de história e quase três décadas de Festival de Bumba Meu Boi da capital, com um trabalho social que retira jovens da ociosidade. De São Luís (MA), o Boi Encanto do São Cristóvão leva o sotaque de orquestra do Maranhão, com seus bordados de paetês e canutilhos e o auto do bumba-meu-boi encenado em ritmo de festa. Já o Boi de Mamão Brinca Meu Boi, de Florianópolis (SC), traz a raiz açoriana do litoral catarinense em um grupo intergeracional que reúne integrantes de 2 a 90 anos.
Do Sul, a tradição gaúcha
Do Rio Grande do Sul chega o Centro de Tradições Gaúchas Laço da Amizade, de Caxias do Sul, fundado em 2002 e filiado ao Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Campeão nacional do FENART em 2025, o grupo leva ao palco mais de 30 temas músico-coreográficos — da chula ao pezinho — e a indumentária do gaúcho dos séculos XVIII e XIX, em uma dança que já representou o Brasil em festivais do Uruguai, do Chile e da Bolívia.
Nordeste: bacamarte, coco e tradição popular
De Capela, Sergipe, o Batalhão de Bacamarteiros Cangaceiros de Lampião preserva o estampido do bacamarte com trajes inspirados na indumentária de Lampião e Maria Bonita, reunindo mais de 30 integrantes de todas as idades. Também de Maceió (AL), o Coco de Roda Alagoano Evolução mantém viva, há cinco anos, a tradição do coco feito em roda, ensinando o ritmo a novas gerações. Do Ceará, o Grupo Miraira, Folclore IFCE, de Fortaleza, chega com mais de 40 anos de trajetória como laboratório de práticas culturais tradicionais, dialogando com a dança, música e teatro.
Rio de Janeiro, estado homenageado, é o que mais estreia
Coerente com a homenagem da edição, o Rio de Janeiro é o estado com mais inéditos: sete grupos fluminenses estreiam no festival. A delegação reúne a folia de reis da Brilhante Estrela de Belém, do Morro da Formiga (Tijuca), e a Manjedoura Mirim do K11, folia de reis mirim que coloca as crianças da Baixada Fluminense para levar “palavras santas” pelos festejos da região. De Duque de Caxias vem o Reizado Flor da Primavera, tradicional grupo da Baixada Fluminense liderado pelo Mestre Bokinha, que mantém viva a tradição da folia de reis por meio de cantigas, versos, danças e encontros que reúnem dezenas de grupos da região.
A Baixada também envia o Afoxé Maxambomba, de Nova Iguaçu, referência na cultura afro-brasileira de raiz africana, e duas quadrilhas juninas de peso: a Nazaré Show, do bairro Anchieta, com 24 anos e mais de mil apresentações, e a Fervo Show, de Nova Iguaçu, reconhecida como agente de transformação social na Baixada Fluminense. De Quissamã chega a Associação Carnavalesca de Bois Malhadinhos (ASCBOM), que há mais de uma década trabalha pela salvaguarda do boi malhadinho, folguedo tradicional do interior fluminense.
Os 17 estreantes ajudam a renovar o palco do FEFOL sem romper com suas raízes. Entre manifestações centenárias, tradições preservadas por mestres populares, grupos formados por crianças e coletivos culturais da Amazônia, o festival amplia seu repertório e reafirma sua vocação de reunir, em um mesmo espaço, diferentes expressões da cultura popular brasileira.
“Abrir o palco do FEFOL para quem nunca esteve aqui é renovar o festival sem perder a raiz. Cada estreante chega com um saber que ainda não tinha passado por Olímpia, e é essa gente nova que mantém o folclore brasileiro em movimento”, afirma Priscila Foresti, secretária de Cultura e Defesa do Folclore de Olímpia.
“Quando um estado como Roraima estreia no festival, fica claro o alcance que Olímpia conquistou. A cidade virou a casa onde tradições de todo o país se encontram pela primeira vez, e receber esses 17 grupos é motivo de orgulho para o nosso município”, destaca o prefeito Geninho Zuliani.
62º Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL)
Datas: 1º a 9 de agosto de 2026
Local: Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna” — Av. Menina Moça, 800 — Olímpia/SP
Entrada gratuita
Canais oficiais: linktr.ee/folcloreolimpia
Sobre o 62º FEFOL
Sob o tema “Aquele Abraço”, o 62º Festival do Folclore de Olímpia acontece de 1º a 9 de agosto de 2026, no Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna”, com entrada gratuita. A edição celebra o Jubileu de Alecrim e reúne mais de 70 grupos no elenco confirmado: mais de 50 vêm de 21 estados das cinco regiões do Brasil e outros 20 são de Olímpia, que segue como protagonista da própria festa. Desse conjunto, 17 estreiam no festival. Nos nove dias, são mais de 130 apresentações noturnas e cerca de 50 participações diurnas em escolas, ruas, comércio e espaços públicos, envolvendo cerca de 2.800 artistas, músicos e coordenadores. A organização estima receber 180 mil visitantes ao longo do evento. O FEFOL é uma realização da Prefeitura Municipal de Olímpia, por meio da Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore, com apoio de projetos de incentivo cultural e parceiros.
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