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EUA interferem em investigação e antecipam operação da PF contra rede do PCC
Medidas norte-americanas causam preocupação no governo brasileiro
As sanções impostas pelos Estados Unidos contra brasileiros suspeitos de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) provocaram reações do governo federal nesta sexta-feira (3) e acabaram interferindo diretamente no andamento de uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF).
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao portal G1 que as pessoas e empresas alvo das medidas norte-americanas já eram investigadas pelas autoridades brasileiras e demonstraram preocupação com a "interferência" dos Estados Unidos em assuntos internos do país.
Segundo Durigan, o Brasil mantém cooperação com os Estados Unidos nas investigações sobre organizações criminosas, mas espera reciprocidade no compartilhamento de informações. “O que nos preocupa é esse espaço de ataque, esse espaço de interferência dos Estados Unidos no Brasil, sem que a gente saiba exatamente o que se pretende com isso”, afirmou.
As declarações ocorreram horas depois do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, revelando ao jornal O Globo que a divulgação das avaliações pelo governo de Donald Trump obrigou a corporação a antecipar a deflagração da Operação Exchange.
De acordo com Rodrigues, a investigação brasileira já estava em andamento e ainda passando por diligências para confirmar informações e localizar um dos investigados quando as medidas anunciadas por Washington aceleraram o cronograma da operação.
A Operação Exchange cumpriu 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Segundo a Polícia Federal, as investigações serão iniciadas para identificar outros membros da organização e aprofundar a cooperação internacional sobre o pagamento financeiro do grupo.
Cooperação internacional
A investigação teve origem na prisão de Ygor Fokin Saviolli no aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida, em outubro de 2023. Na ocasião, autoridades norte-americanas apreenderam seu telefone celular e identificaram pessoas de crimes relacionados à lavagem internacional de dinheiro e ao tráfico de drogas.
Segundo a PF, as mensagens revelaram uma estrutura transnacional voltada para a entrega de recursos do tráfico internacional de drogas, envolvendo operações financeiras no Brasil, Estados Unidos, Portugal, Paraguai e Colômbia, além do uso de criptomoedas para ocultação de valores.
A partir da análise do material apreendido, o pesquisador identificou Victor Henrique de Oliveira Shimada como um dos principais operadores financeiros da organização. O empresário, que segue foragido, atuava como doleiro, remessas internacionais de recursos em espécie, específicas para criptomoedas e transferências destinadas a ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Entre os alvos da operação mais cedo, também está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como responsável pela coleta de dinheiro em espécie e pela administração financeira das operações. Ela, que foi na sexta-feira, já estava incluída nesta lista de avaliações do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Primeiras dos EUA
Na última quarta-feira (1º), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou avaliações contra Victor, Stella Stefanie e três empresas brasileiras por suposta participação na rede vinculada ao PCC. A medida foi a primeira após a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais.
Na justificativa, Washington afirma que Shimada e sua organização lavaram mais de US$ 30 milhões (R$ 156,3 milhões) utilizando ativos digitais para remeter os recursos ao Brasil. O órgão americano também afirma que, em janeiro de 2025, o empresário chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil após uma investigação de que uma de suas empresas teria sido usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um suposto esquema de fraude publicitária.
O bloqueio também se estende a empresas com controle de pelo menos 50%, direto ou indireto, por parte dos sancionados. Washington alerta ainda que as instituições financeiras estrangeiras poderão ser alvo de avaliações secundárias caso facilitem operações consideradas relevantes em benefício dos designados.
Por Sputinik Brasil
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