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Ibovespa sobe, mas produção industrial apresenta números fracos

Mercado reage a cenário de juros futuros e fechamento das Bolsas em Nova York

Estadao Conteudo 03/07/2026
Ibovespa sobe, mas produção industrial apresenta números fracos
ibovespa ações - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

A desvalorização de 1,74% do minério de ferro em Dalian, na China, foi insuficiente para evitar a alta do Ibovespa, reflexo do declínio dos juros futuros. O pregão desta sexta-feira, 3, pode apresentar liquidez reduzida, devido ao feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos.

Após abrir na mínima aos 172.790,39 pontos, o Ibovespa se recuperou, alcançando 174 mil pontos, apagando a queda semanal.

Esse movimento coincidiu com a recuperação das ações de primeira linha, sugerindo um olhar atento do investimento estrangeiro, especialmente com o fechamento das Bolsas de Nova York. As ações da Petrobras se valorizaram, acompanhando a virada do petróleo, assim como as da Vale. Além disso, papéis de bancos também ganharam valorização, refletindo o recuo dos juros futuros após a divulgação de dados sobre a produção industrial de maio, que foi menor do que o esperado.

Segundo Thiago Salomão, fundador e CEO do Market Makers, o grande evento da semana foi o relatório de empregos dos EUA (payroll), divulgado ontem. "A fraqueza na geração de vagas de emprego diminuiu as apostas de alta de juros na próxima reunião do Fed. Isso é um bom sinal para o Ibovespa nesse momento de assimetria", afirma.

Além disso, o preço do petróleo, em torno de US$ 70 por barril, reduz expectativas inflacionárias no futuro, o que pode resultar em menos alta de juros nos EUA e em mais cortes da Selic, sugere Salomão.

Conforme os dados divulgados nesta sexta, a produção industrial de maio recuou 0,2% na margem e subiu 0,2% em relação ao quinto mês de 2025, contrariando a expectativa de expansão de 0,2%. Em relação ao dado interanual, ficou perto do piso de -0,1%, que tinha um teto positivo de 3,3%, com mediana em alta de 1,2%.

Esses números podem reforçar o processo de desaceleração da atividade econômica brasileira, o que abriria espaço para uma nova queda da Selic em 0,25 ponto porcentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto.

O Itaú Unibanco, por sua vez, aponta que após um resultado forte em abril, os dados recentes sugerem uma moderação para a indústria. Contudo, o banco espera que a produção manufatureira permaneça estável ao longo do ano, em linha com o padrão observado em 2025.

Na quinta-feira, o Índice Bovespa fechou com alta de 0,64%, aos 172.787,62 pontos, quase zerando a queda semanal de -0,29%. Na semana passada, a alta foi de 2,95%. O volume financeiro somou R$ 19,57 bilhões, abaixo da média prevista entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. Em Nova York, as bolsas encerraram a quinta-feira sem uma direção definida, com perdas nas ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial (IA) e sob a influência do relatório de emprego dos EUA.

Alvaro Maia, da StoneX, explica que os mercados estão operando de forma mais lenta devido ao fechamento de Wall Street pelo Dia da Independência. O payroll fraco continua a repercutir globalmente, aliviando a pressão sobre o Federal Reserve. Maia também ressalta que os investidores estão monitorando os índices de gerentes de compras (PMIs) da Europa, China e Japão, além das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e o comportamento das commodities.

Às 11h26, o Ibovespa subia 0,69%, alcançando 174.006,74 pontos, com uma alta máxima de 0,81%, aos 174.193,43 pontos, após uma mínima de abertura em 172.790,39 pontos. O índice registra alta de 0,41% na semana.