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Monotrilho de Congonhas ganha nova estação e terá 1º trajeto em Y de São Paulo
Linha 17-Ouro passa a contar com a Estação Washington Luís; operação plena está prevista para outubro
O monotrilho da Linha 17-Ouro, que liga o metrô ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, passa a contar, nesta terça-feira, 30, com sua estação oitava. A Estação Washington Luís era a única unidade do ramal que ainda não havia sido entregue.
O transporte segue em funcionamento parcial, ainda em fase de testes. A partir de quarta-feira, 1º de outubro, o horário será ampliado, com operação das 9h às 16h, de segunda a sexta-feira. Por enquanto, o monotrilho não abre aos fins de semana. O ramal foi entregue no fim de março e deve iniciar a operação plena em outubro.
Com a nova estação, a linha passa a ser a primeira de São Paulo a operar com um trajeto em Y. A bifurcação ocorre após a parada do Brooklin Paulista, e o ponto final pode variar entre o Aeroporto de Congonhas e a Estação Washington Luís.
Neste primeiro momento, para chegar a Washington Luís, o passageiro precisará desembarcar no Brooklin Paulista e trocar de trem. Disponibilize um veículo exclusivo para o percurso entre Brooklin e Washington Luís.
Enquanto isso, os trens principais farão a rota Morumbi-Aeroporto de Congonhas, passando por todas as estações, com exceção de Washington Luís.
Quem embarcar pela Estação Washington Luís terá de seguir até o Brooklin Paulista, desembarcar e acessar o trem principal. A partir de lá, você poderá escolher seguir no sentido Morumbi ou no sentido aeroporto.
Esquema de embarque deve mudar com operação plena
O modelo atual deve funcionar apenas durante a fase de testes. Quando a linha entra em operação plena, o governo estadual planeja alterar o esquema de embarque.
A proposta é eliminar a necessidade de troca de trem no Brooklin Paulista. Parte dos veículos sairá da Estação Morumbi com destino ao Aeroporto de Congonhas, enquanto outra parte seguirá para Washington Luís. "Por exemplo, a cada dois trens para o aeroporto, um vai para Washington Luís. Vamos isso de acordo com a demanda de passageiros", afirmou o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues.
Com a mudança, os passageiros precisarão ficar atentos às telas e aos avisos sonoros para embarcar no trem correto e chegar ao destino desejado.
O método é comum em sistemas de metrô da Europa, como em Paris, mas ainda será uma novidade para os usuários paulistas.
O início da operação plena está previsto para outubro. Nessa etapa, o monotrilho funcionará todos os dias, das 4h40 à meia-noite. A administração da linha também passa do Metrô para a rodovia Motiva, novo nome da CCR.
Até lá, o transporte de passageiros será gratuito, já que a operação ainda é parcial. Depois, a tarifa será de R$ 5,40, mesmo valor cobrado nas demais linhas do metrô.
Quando atingir o funcionamento pleno, a expectativa é transportar 93 mil usuários por dia. Por enquanto, uma linha recebeu cerca de 220 mil pessoas em quase três meses.
“A operação transitória avalia o desempenho dos sistemas, trens e estações em toda a linha, e sua evolução, para poder inserir mais trens em funcionamento simultâneo e a operação em carrossel, ampliando o horário e os dias de atendimento”, informou o Metrô, em nota.
Obra sai do papel após atrasos
A obra saiu do papel 13 anos depois do prazo prometido inicialmente para entrega. Previsto, no projeto original, para chegar até o Estádio do Morumbi e a Estação Jabaquara, o monotrilho terá, nesta primeira etapa, o trajeto entre o Aeroporto de Congonhas e a Estação Morumbi da CPTM.
O monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010 como uma das obras previstas para a Copa do Mundo de 2014. A previsão era construir 18 estações entre Congonhas e o Estádio do Morumbi, com o objetivo de facilitar o deslocamento de torcedores e turistas.
Posteriormente, a organização da Copa substituiu o Morumbi pelo estádio do Corinthians, em Itaquera, como sede das partidas em São Paulo. As obras transferidas de financiamento federal e, após 2014, as construtoras responsáveis, Odebrecht e Andrade Gutierrez, foram atingidas pela Operação Lava Jato.
O Metrô de São Paulo rescindiu o contrato com as empresas em 2016. A obra ficou paralisada por anos, e os efeitos da Lava Jato no setor dificultaram uma nova contratação.
Os trabalhos só foram retomados em 2020 e, ainda assim, passaram por novas trocas de empresas e paralisações. “Tivemos problemas com várias contratadas e superamos esses desafios”, disse Rodrigues, do Metrô.
A equipe de Geraldo Alckmin, governador pelo PSDB na época da promessa do monotrilho, afirma que o prazo foi estipulado após consulta ao mercado e que a Lava Jato impactou as condições financeiras do setor. Alckmin, hoje no PSB, é vice-presidente da República.
Em 2010, o projeto de 18 estações foi orçado em R$ 2,9 bilhões, ou equivalente a cerca de R$ 7,1 bilhões em valores corrigidos pela inflação. O custo seria dividido entre os governos federal, estadual e municipal.
O custo total da primeira etapa ficou em R$ 5,97 bilhões. Segundo o governo do Estado, o valor atual das estruturas inclui o atendimento à linha e despesas relacionadas aos contratos paralisados.
O Metrô afirma que ainda há intenção de construir as outras dez paradas, completando o trecho até as estações São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela, de um lado, e Jabaquara, da Linha 1-Azul, do outro.
O governo prevê contratar ainda neste ano o projeto técnico para quatro novas estações: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista. A expectativa é iniciar a construção em 2029, com estimativa preliminar de entrega em 2031.
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