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Boulos critica Alcolumbre por manter PEC do fim da escala 6x1 parada

Ministro afirma que presidente do Senado “erra feio” ao não dar andamento à proposta e diz que resposta virá da pressão social

Estadao Conteudo 30/06/2026
Boulos critica Alcolumbre por manter PEC do fim da escala 6x1 parada
- Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência , Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira, 30, durante o programa Bom Dia, Ministro , que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), “está errando e errando feio” ao não dar andamento à proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.

Boulos recorreu a uma analogia futebolística, no meio do clima da Copa do Mundo, para criticar a paralisação da pauta. Segundo ele, “está tendo muita catimba” e Alcolumbre “precisa lembrar que tem contra-ataque”.

"Não tem justificativa para uma pauta que interessa ao povo brasileiro estar parado na gaveta há um mês por interesses menores. O presidente do Senado está errando e errando feio. E acho que está brincando com fogo. Quando ele deixa essa pauta parada sem nenhuma justificativa, porque não há justificativa de méritos, política ou de qualquer ordem", declarou.

Questionado sobre qual seria esse “contra-ataque”, Boulos respondeu que “a sociedade é quem vai dizer qual vai ser”. “Achar que vai paralisar uma pauta com clamor social e que a sociedade vai assistir a isso passiva me parece uma concepção muito temerária e equivocada”, completou.

O ministro não detalhou quais medidas o governo federal pretende adotar para garantir a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1. Ele afirmou, no entanto, que a principal resposta deverá vir da pressão pública.

Boulos também criticou a PEC apresentada pela oposição no Senado como alternativa ao fim da escala 6x1. Para o ministro, a chamada PEC da hora trabalhada representa “o fim dos direitos trabalhistas, a redução salarial e o trabalhador tendo de se virar com bicos”. Ele classificou a proposta como “vergonha”, “farsa” e “um tapa na cara do povo”.

“Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o senador Flávio Bolsonaro, que apoia a PEC da hora trabalhada, faltou em 43% das sessões deliberativas do Senado. Imagina se valesse para ele a PEC da hora trabalhada? Não ia conseguir pagar as compras no fim do mês”, declarou.

O ministro também criticou a atuação de setores empresariais contra o fim da escala 6x1. Segundo Boulos, há uma tentativa “descarada” de atacar a proposta.

“O presidente da Fecomercio-SP chegou ao ponto de, em entrevista, atacar o fim da escala 6x1, dizendo que é uma grande besteira, e sugerindo que beneficiários de programas sociais não poderiam votar”, afirmou.