Geral
Integrante do BoE alerta que agentes de IA podem ampliar volatilidade em crises
Sarah Breeden afirma que avanço da IA agentiva eleva riscos cibernéticos e exige novos mecanismos de supervisão no sistema financeiro
A vice-presidente do Banco da Inglaterra (BoE) para Estabilidade Financeira, Sarah Breeden , alertou nesta terça-feira, 30, que agentes de inteligência artificial (IA) podem ampliar a volatilidade em momentos de estresse nos mercados financeiros. Segundo ela, o avanço das capacidades cibernéticas desses sistemas representa um risco crescente à estabilidade financeira.
Em discurso no Fórum de Sintra, organizado pelo Banco Central Europeu (BCE), Breeden afirmou que a sua “principal preocupação” para a estabilidade financeira é uma “mudança de patamar” nas capacidades de ciberataques da chamada IA agentiva — sistemas capazes de executar tarefas com maior autonomia.
De acordo com o dirigente, embora as instituições financeiras ainda utilizem sistemas independentes principalmente em atividades de menor risco, como pesquisas, esse cenário pode mudar rapidamente. Ela anuncia que, se diferentes agentes de IA reagirem de forma semelhante aos mesmos estímulos, “poderão amplificar a volatilidade em momentos de estresse” , especialmente se seus objetivos se afastarem das metas originais ou das políticas públicas.
Breeden afirmou que os bancos centrais precisam avaliar não apenas se as instituições utilizam esses modelos de maneira adequada, mas também se o sistema financeiro tem capacidade de observar e conter comportamentos gerados por eles. Nesse contexto, defendi estudos sobre mecanismos de mitigação, incluindo salvaguardas semelhantes aos disjuntores dos mercados, que interromperam negociações em caso de colapso provocado por modelos defeituosos.
Na área de segurança cibernética, o vice-presidente do BoE destacou que o avanço da IA pode fortalecer as defesas quando usado por agentes legítimos. Por outro lado, também aumenta significativamente o potencial de ataques quando a tecnologia é utilizada por pessoas ou grupos mal-intencionados.
O dirigente acrescentou que a inteligência artificial deverá transformar os pagamentos, o comércio eletrônico e a própria atuação dos bancos centrais. Para isso, esse novo cenário exigirá marcos regulatórios atualizados, aprimoramento das habilidades das autoridades e maior cooperação internacional, a fim de evitar que os avanços tecnológicos se convertam em ameaças à estabilidade financeira.
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