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ONU confirma 28 civis mortos em ataques aéreos do Paquistão no Afeganistão
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA, na sigla em inglês) confirmou nesta segunda-feira (29) que ataques aéreos realizados pelo Paquistão contra três províncias fronteiriças afegãs deixaram pelo menos 28 civis mortos e 49 feridos.
"A UNAMA confirmou que pelo menos 28 civis morreram e 49 ficaram feridos em ataques aéreos realizados nas províncias afegãs de Paktia, Paktika e Kunar na noite de domingo (28)", informou a missão em comunicado.
Segundo a entidade, mulheres e crianças estão entre os mortos e feridos.
"Um ataque aéreo no distrito de Chamkani, na província de Paktia, matou pelo menos 22 civis e feriu outros 47. No mesmo horário, outro ataque no distrito de Gyan, na província de Paktika, matou mais seis civis. Um terceiro ataque, no distrito de Marawara, na província de Kunar, feriu duas crianças", detalhou a missão.
A UNAMA ressaltou que os números são preliminares e podem aumentar à medida que os hospitais continuem recebendo feridos.
A missão da ONU também pediu que as partes envolvidas no conflito cumpram o direito internacional humanitário e respeitem o princípio da proporcionalidade no uso da força para proteger os civis. Além disso, manifestou condolências às famílias das vítimas e desejou rápida recuperação aos feridos.
Escalada da violência na região
O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, disse que as operações tiveram como alvo um grupo que Islamabad responsabiliza por um ataque ocorrido no fim de semana na cidade portuária de Karachi, no sul do Paquistão, que acarretou a morte de três soldados.
Os ataques são o episódio mais recente da escalada de violência entre os dois países, cuja relação tem sido conturbada desde que o Talibã voltou ao poder em 2021, e ocorrem após uma guerra de várias semanas que eclodiu em fevereiro.
As forças de segurança mataram três dos militantes e prenderam um, que, segundo as autoridades, é cidadão afegão, do grupo Jamaat-ul-Ahrar, facção dissidente do Talibã paquistanês, que assumiu a responsabilidade pelo ataque em Karachi em comunicado divulgado na noite de sábado.
O conflito entre os dois países ocorre desde outubro de 2025, com intermitentes períodos cessar-fogo em diferentes momentos, porém sem acordo definitivo para estabilizar a fronteira. O Paquistão acusa Cabul de abrigar terroristas, acusação negada pelas autoridades afegãs.
Em 26 de fevereiro, o Afeganistão iniciou uma operação militar contra forças paquistanesas ao longo de toda a Linha Durand, fronteira não reconhecida por Cabul entre os dois países, em resposta a bombardeios da Força Aérea do Paquistão em território afegão. Islamabad declarou que também abriu fogo e, posteriormente, afirmou estar em "guerra aberta" com o Afeganistão.
Por Sputinik Brasil
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