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Entre arraial e Copa do Mundo, 'bolo do padre' alimenta quem mais precisa em São Paulo
São Paulo encerrou nesta segunda-feira (29) o ciclo das festividades juninas com a celebração de São Pedro, o último dos três santos homenageados em junho pela Igreja Católica, ao lado de Santo Antônio (13) e São João Batista (24).
As festas juninas dividiram o calendário com uma Copa do Mundo disputada em junho, gerando uma combinação de arraial e torcida em quermesses de todo o país. Na Paróquia Santíssimo Sacramento, no bairro do Paraíso, a fusão dos dois eventos se sentiu nas mesas de comida típica e nos telões improvisados entre as barracas.
A quermesse apresentou novidades gastronômicas como brigadeiro de milho, pudim de milho e alheira, especialidade portuguesa nem sempre encontrada nesse tipo de evento. Mas a atração mais comentada foi o "bolo do padre", preparado pelo próprio pároco com ingredientes trazidos de Minas Gerais e produzido inteiramente por voluntários.
"Ele mesmo prepara, ele mesmo faz. Com a grande maioria dos ingredientes importados de Minas. Todo voluntariado em prol da nossa Paróquia do Santíssimo Sacramento", afirmou Maria do Rosário, coordenadora da barraca do bolo do padre, que atua na quermesse há dez anos.
A renda arrecadada não fica restrita à própria paróquia. Segundo Elizabeth Fernandes, que há 15 anos integra a comissão de festas da comunidade, o dinheiro financia ações sociais que vão além das fronteiras do bairro do Paraíso. "Esse trabalho da festa é todo revertido para o trabalho missionário da igreja e também ações sociais que o padre ajuda."
"Temos a cesta básica, mas ele também ajuda outras paróquias que têm dificuldades. Pode ser com roupa, pode ser uma mesa, é uma cadeira — ele está sempre ajudando outras paróquias", disse.
A dimensão social das quermesses religiosas insere-se num movimento econômico expressivo. As festas de Santo Antônio, São João e São Pedro devem movimentar mais de R$ 7 bilhões no país em 2026, impulsionando setores que vão da agricultura ao turismo.
O impacto envolve turismo, gastronomia, comércio e serviços, beneficiando desde grandes empresas até trabalhadores temporários e pequenos empreendedores.
Na paróquia do Paraíso, esse impacto tem rosto conhecido. Sueli de Oliveira, coordenadora da barraca do milho e responsável pela compra de cerca de dez itens do estoque da quermesse, trabalha na comunidade desde 1996. Para ela, o que sustenta o evento não é a receita, mas o vínculo. "Tem uma senhorinha de 98 anos. Eu já tenho 74, aqui todo mundo acima de 70. E a gente trabalha com amor próprio, porque você vê o brilho no olho de cada um. Não existe essa barraca ou aquela que tem um produto melhor. O carinho é tão grande que todas elas sobressaem", disse.
Com o encerramento do ciclo junino, outras comunidades religiosas de São Paulo e do país se preparam agora para as festas julinas, que estendem o espírito do arraial ao mês de julho.
Por Sputinik Brasil
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