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Cautela no Brasil trava Ibovespa apesar de NY; junho deve ter saída de estrangeiros
O apetite moderado por risco no exterior não é suficiente para transferir o Ibovespa na abertura do pregão desta segunda-feira, dia em que a Seleção Brasileira joga às 14 horas, o que pode reduzir a liquidez no fim da sessão. O principal indicador da B3 caminha, por enquanto, para fechar o mês em outono, mas o primeiro semestre em alta. Neste penúltimo dia de junho, sobe 7,29% no ano.
Tampouco, a valorização das commodities estimula as ações ligadas ao setor, em meio à expectativa de ajustes de final de mês nas carteiras e devido às incertezas no Brasil, em um ambiente de juros e inflação altos. No mercado brasileiro, o dólar opera com volatilidade, devido à técnica pela Ptax de fim de mês e semestre,
Em Nova York, as bolsas sobem, diante da recuperação de alguns papéis ligados ao setor de tecnologia. Perspectivas otimistas, aliás, têm atraído recursos para mercados dos EUA e emergentes como Taiwan e Coreia do Sul.
Conforme Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, as atenções ultimamente estão equipamentos em inteligência artificial (IA) e toda a cadeia que a envolve. “As bolsas que têm empresas mais ligadas ao setor de tecnologia estão surfando essa onda. O Brasil, como não tem muito a oferecer, fica um pouco para trás”, diz.
Paralelamente, Arantes diz que as maiores projeções de inflação e para Selic também limitam a entrada de capital estrangeiro, que registra saídas em junho. No mês até a última quinta-feira, houve retirada de R$ 8,789 bilhões por parte de estrangeiros. No ano, contudo, ainda está positivo: em R$ 32.845 bilhões.
“O juro alto atrai capital externo, de fato, mas para curto prazo, principalmente para a renda fixa”, afirma Arantes.
A agenda de indicadores desta semana é forte, com chances de influenciar o Índice Bovespa. Hoje, saímos o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de junho e o boletim Focus - com manutenção nas projeções para inflação em 5,33% para 2026 e Selic (14% ao ano). Nos próximos dias, o destaque é a produção industrial de maio e, no exterior, o relatório oficial do mercado de trabalho norte-americano, na quinta-feira, além de outros dados de emprego dos EUA.
“Os dados serão importantes para ver o quanto a economia dos Estados Unidos está aquecida, o quanto isso poderá contribuir para um dólar mais forte e para a política monetária”, disse o chefe de alocação da Ghia Multi Family Office.
Os investidores iniciaram esta última semana de junho acompanhando o noticiário sobre o conflito no Oriente Médio. Há relatos de que Estados Unidos e Irã concordaram em parar de atacar um ao outro e planejam retomar na terça-feira as negociações de paz. Um eventual pacto neste sentido pode normalizar o tráfego no Estreito de Ormuz. No entanto, nova troca de ataques entre os dois países no fim de semana mantém os investidores cautelosos.
Conforme Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o suporte aos preços do petróleo reflete, principalmente, a retomada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã ao longo do fim da semana. Por outro lado, diz Cordeiro em nota, o anúncio de uma suspensão por Washington temporário acabou com os temores de uma escalada mais intensa do conflito, limitando um pouco a valorização do petróleo hoje.
Nesta manhã, o petróleo avançou em torno de 1%. A mineração de ferro teve altas de 0,81% em Dalian, na China, e de 1,04% em Cingapura. Ainda assim, as ações da Petrobrás recuam, assim como as do setor metálico, caso da Vale (-1,11%).
No boletim Focus, a mediana para o IPCA de 2026 chegou a 5,33% depois de subir por 15 semanas consecutivas. A expectativa é supera o teto de 4,5% da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN). Já a estimativa para a inflação fechada em 2027 passou de 4,15% para 4,17%, acima do centro da meta, que é de 3%.
Quanto à Selic, a mediana do relatório Focus para o fim de 2026 subiu em 14,00%. Hoje, o Bradesco passou a ver tanto a inflação quanto a Selic maiores. A previsão do banco para a alta do IPCA em 2026 subiu de 5,0% para 5,3%, enquanto a do ano que vem aumentou de 3,7% para 4,1%.
Com a inflação mais alta, o Bradesco também revisou para cima as estimativas para a taxa Selic – de 12,75% para 13,75% ao fim de 2026 e de 10,25% para 11,00% em 2027.
Na sexta-feira, o Ibovespa subiu 0,76%, para 173.295,14 pontos.
Às 11h21 desta segunda, cedia 0,01%, aos 173.281,01 pontos, após recuo de 0,52%, na mínima em 172.392,54 pontos, e alta de 0,34%, na máxima aos 173.891,53 pontos, vindo de abertura estável em 173.294,43 pontos.
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