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Na Rússia, fórum nuclear aposta na juventude para ampliar cooperação tecnológica global

Sputnik Brasil 26/06/2026
Na Rússia, fórum nuclear aposta na juventude para ampliar cooperação tecnológica global
Foto: © Sputnik Brasil / Rennan Rebello

A cidade russa de Obninsk, localizada na região de Kaluga, que, em 1954, abrigou a primeira usina nuclear do mundo, sediou nesta sexta-feira (26), data que remete a essa efeméride, o IV Fórum Internacional de Jovens do Setor Nuclear, que reuniu autoridades, especialistas e lideranças globais para discutir os rumos e o futuro da energia atômica.

A equipe da Sputnik Brasil acompanhou de perto o evento, também conhecido como Obninsk NEW 2026, organizado pela Rosatom, estatal russa de energia nuclear, que recebeu diversas delegações estrangeiras. Entre as autoridades presentes, Valery Falkov, ministro da Ciência e Ensino Superior da Rússia, discursou para um auditório completamente lotado e exaltou a importância da formação científica.

"É simbólico que o fórum aconteça justamente em Obninsk, cidade onde começou a história do átomo pacífico. O progresso na área da energia nuclear, das tecnologias termonucleares e quânticas, assim como a aplicação da inteligência artificial, exige a formação de profissionais altamente qualificados de uma nova geração: competentes, proativos, capazes de tomar decisões responsáveis e de concretizar os projetos mais ambiciosos", disse.

A edição de 2026 ocorre também em comemoração a um ano simbólico para Obninsk, que celebra 70 anos, além dos 80 anos do Instituto de Física e Engenharia Leypunsky, uma das instituições mais importantes da história nuclear soviética e russa. Na cerimônia, o diretor-geral da Rosatom, Aleksei Likhachev, enfatizou a importância do desenvolvimento do setor.

"Além das nossas ações conjuntas no desenvolvimento dos conhecimentos e das competências nucleares, na educação nuclear, também falamos sobre valores comuns. Para mim, é muito importante compreender que a geração de vocês está pronta para assumir a responsabilidade pelo amanhã do planeta Terra. É nisso que consiste o curso absolutamente irreversível da vida, o curso da história", comenta.

Juventude tem voz ativa no futuro da energia nuclear

Entre os participantes da primeira plenária do dia, intitulada "Reação em Cadeia Nuclear: Como as Comunidades de Jovens Estão Impulsionando a Indústria Nuclear", estava a brasileira Dandara Araújo da Silva, engenheira nuclear associada na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e representante da Geração Jovem Nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela moderou esse painel dedicado ao papel das comunidades juvenis no avanço da indústria nuclear.

"Embora não estejamos falando de nêutrons, estamos falando de algo extremamente importante: as pessoas. Porque sem as pessoas, sem as comunidades e a colaboração e um propósito compartilhado nada que fazemos na ciência e na tecnologia nuclear teria sentido", destaca.

Durante a sua participação na plenária, Dandara também comentou que seu trabalho na AIEA a faz perceber que o mundo está passando por um novo ciclo nuclear com o avanço de alta tecnologia capaz de produzir novas opções para o uso da energia atômica.

"Em todo o mundo, a indústria nuclear cresce e está evoluindo rapidamente. Como parte do meu trabalho na AIEIA, especialmente na área de desenvolvimento de tecnologias para a energia nuclear, vejo em primeira mão como a inovação está transformando esse cenário com o surgimento de pequenos e microrreatores", observa.

Brasil conta com representante no Impact Team 2050

A presença brasileira também apareceu na discussão sobre o Impact Team 2050, conselho internacional jovem ligado à Rosatom. O brasileiro Luiz Miranda, da EnergyC, consultor da FGV e membro do grupo, explicou como será o trabalho que irá desenvolver nessa rede que conta com pesquisadores de diversas partes do mundo.

"O Impact Team é um grupo de jovens onde a gente tem como objetivo promover energia nuclear e a maioria desses países são [...] da África e do Oeste Asiático. O Impact Team, na verdade, é um objetivo de a gente poder promover essa pauta até 2050, onde a gente sabe que é uma energia que pode promover não só o desenvolvimento econômico, mas também tecnológico."

Mais do que uma celebração, o fórum em Obninsk provou que o interesse pela energia atômica segue atual, por ser estratégica para o desenvolvimento e a soberania tecnológica.


Por Sputinik Brasil