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Tarifa dos EUA pode paralisar 55% das usinas de ferro-gusa no Brasil, diz Sindifer

Sindicato afirma que nova taxação pode chegar a 37,5% e afetar exportações, empregos e competitividade do setor siderúrgico

Estadao Conteudo 25/06/2026
Tarifa dos EUA pode paralisar 55% das usinas de ferro-gusa no Brasil, diz Sindifer
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Caso as novas tarifas propostas pelos Estados Unidos contra o Brasil sejam implementadas, cerca de 55% das usinas brasileiras produtoras de ferro-gusa poderão paralisar suas atividades. A estimativa é do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), filiado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O governo norte-americano propôs uma tarifa de 25%, acrescida de uma segunda taxa de 12,5%, o que pode elevar a cobrança total a 37,5%. As medidas serão discutidas em audiências públicas marcadas para 6 de julho, com decisão prevista para o dia 15 do mesmo mês. O Sindifer-MG informou que participará da audiência nos Estados Unidos para acompanhar o processo e atuar na defesa do setor.

Minas Gerais lidera a produção nacional de ferro-gusa, com 48 usinas e 63 fornos, que somam capacidade instalada de cerca de 420 mil toneladas por mês, o equivalente a aproximadamente 70% da produção brasileira. Sete Lagoas, na região central do estado, concentra 21 dessas unidades, o que reforça a importância estratégica do município para a atividade.

O ferro-gusa é a principal matéria-prima para a produção de aço e ferro fundido, sendo utilizado em toda a cadeia produtiva da metalurgia. Segundo o sindicato, o Brasil está entre os maiores exportadores do produto, e os Estados Unidos são o principal destino das vendas externas.

Em 2025, a produção nacional de ferro-gusa totalizou cerca de 5,4 milhões de toneladas. Aproximadamente três quartos desse volume foram destinados à exportação, sendo mais de 80% para os Estados Unidos. Somente em Sete Lagoas, mais de 1 milhão de toneladas foram exportadas no ano passado. Entre janeiro e maio de 2026, a produção nacional somou cerca de 1,6 milhão de toneladas, das quais 80% seguiram para o mercado norte-americano. O setor também gera mais de 60 mil empregos diretos e indiretos em Minas Gerais.

Para tentar reduzir os impactos do tarifaço, o Sindifer contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos com o objetivo de buscar a reversão do processo e negociar exceções para o ferro-gusa brasileiro. Entre os efeitos projetados pela entidade estão a paralisação de usinas, a redução de empregos, a queda no Produto Interno Bruto (PIB) e o comprometimento da competitividade do Brasil no mercado internacional.