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Petróleo e Treasuries em queda pressionam juros futuros

Recuo do barril aliviou a curva global e levou DIs a fecharem em baixa; mercado aguarda RPM e IPCA-15

Estadao Conteudo 24/06/2026
Petróleo e Treasuries em queda pressionam juros futuros
- Foto: Depositphotos

Os juros futuros fecharam em queda expressiva nesta quarta-feira, 24, em reação ao recuo dos preços do petróleo, movimento que também aliviou as curvas no exterior. As taxas mais longas terminaram o dia com baixas superiores a 20 pontos-base, embora ainda acima de 14%, mesmo com o dólar em alta e novamente negociado na faixa de R$ 5,20. O ambiente externo mais favorável marcou a expectativa pelo Relatório de Política Monetária (RPM), que será divulgado nesta quinta-feira e deve oferecer novos elementos para o mercado precificar a trajetória da Selic.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 14,125%, ante 14,186% no ajuste de terça-feira. O DI para janeiro de 2028 encerrou a 14,300%, na mínima, contra 14,566% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 também fechou na mínima, a 14,355%, ante 14,659%. Já a taxa do DI para janeiro de 2031 recuou de 14,614% para 14,345%.

A agenda doméstica esvaziada reforçou a influência do cenário internacional sobre a curva de juros. A queda de quase 4% do petróleo levou o barril a patamares anteriores à guerra do Irã. O Brent, referência para a Petrobras, fechou na casa dos US$ 73. O movimento foi sustentado pelo otimismo em relação à normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, que gradualmente volta a liberar o tráfego de milhões de barris, ampliando a oferta global.

O desempenho da commodity também pressionou para baixo a curva dos Treasuries e a europeia, já que o choque do petróleo era uma das principais variáveis de risco para o cenário inflacionário global. “O movimento não está circunscrito ao Brasil. É global”, afirmou Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset. Ele destacou a forte queda da inflação implícita das Tips, os papéis americanos atrelados à inflação, movimento que também se refletiu na curva das NTN-Bs no Brasil. Nos demais títulos dos Estados Unidos, o yield da T-Note de dez anos, considerado referência de ativo livre de risco, recuou cerca de 10 pontos-base.

Nos DIs, a taxa para janeiro de 2027, que reflete as apostas do mercado para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) neste ano, fechou em 14,125%, o menor nível desde 29 de maio, quando estava em 14,09%. A precificação da curva para o Copom de agosto mostrava um mercado dividido em relação à Selic: 14 pontos de queda, o equivalente a 56% de chance de redução de 25 pontos-base e 44% de probabilidade de manutenção da taxa em 14,25%, segundo cálculos do sócio e estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno. Para o fim do ano, a curva segue apontando alta, com Selic a 14,45%.

Se nesta quarta-feira a agenda de indicadores esteve esvaziada, o calendário de quinta deve testar as expectativas do mercado. Além da publicação do RPM, estão previstas entrevistas coletivas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor de Assuntos Internacionais e de Política Econômica, Paulo Picchetti. Também será divulgado o IPCA-15 de junho, cuja mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, é de 0,44%, abaixo dos 0,62% registrados em maio.

Rostagno, da EPS, afirma não ter grande expectativa de esclarecimento dos pontos em aberto deixados pela ata e pelo comunicado do Copom, entre eles a queda abrupta da projeção de inflação na transição do horizonte relevante do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. “Até agora, o tom dos documentos está desconexo com a decisão, com o BC parecendo tentar forçar a barra para cortar. Vamos ver se algo muda amanhã, quinta-feira, 25”, disse.

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