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Dólar avança no exterior e fecha a R$ 5,20, maior nível desde março

Moeda americana subiu pelo segundo pregão seguido, pressionada pela expectativa de alta de juros nos Estados Unidos e pela queda do petróleo.

Estadao Conteudo 24/06/2026
Dólar avança no exterior e fecha a R$ 5,20, maior nível desde março
- Foto: Reprodução

O dólar subiu pelo segundo pregão consecutivo frente ao real e encerrou o dia na casa de R$ 5,20, no maior nível de fechamento em cerca de três meses. Sem indicadores ou eventos locais de maior peso, os negócios no mercado de câmbio acompanharam a dinâmica externa de valorização da moeda americana, movimento influenciado pela expectativa de alta de juros nos Estados Unidos ainda neste ano.

Embora o real não tenha apresentado o pior desempenho entre as principais moedas emergentes nesta quarta-feira, 24, nem no acumulado de junho, analistas avaliam que o alívio nos preços do petróleo — que ameaça romper o piso de US$ 70 o barril — reduz a atratividade do chamado “trade do petróleo” com a moeda brasileira, estimulando a realização de lucros.

Em terreno positivo desde a abertura dos negócios, e após atingir máxima de R$ 5,2212 pela manhã, o dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,28%, cotado a R$ 5,2020. Foi o segundo fechamento consecutivo no maior valor desde 30 de março. A moeda americana acumula valorização de 3,15% frente ao real em junho, depois de avançar 1,82% no mês anterior. No ano, as perdas, que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90, agora são de 5,23%.

“O real depreciou hoje em razão do fortalecimento global do dólar. Não houve questões internas relevantes. Em linhas gerais, vivemos um momento um pouco sensível para o real, com o Fed pensando em subir juros enquanto o Copom, como mostrou a ata ontem, terça-feira, ainda deixa a porta aberta para nova redução da taxa Selic”, afirma o head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset, Jonathan Joo Lee. “Essa movimentação do Fed e do Copom tem estressado o câmbio nos últimos dias, porque aponta para diminuição da atratividade do carry trade.”

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY rondava os 101,600 pontos no fim da tarde, após máxima de 101,800 pontos, nos maiores níveis em pouco mais de um ano. O Dollar Index acumula valorização de 2,70% em junho, levando os ganhos no ano para cerca de 3,30%. Mais ligada aos preços do petróleo, embora ainda registre alta de cerca de 2% no ano, a coroa norueguesa caiu mais de 0,80% e acumula perdas próximas de 6% em junho.

As cotações do petróleo caíram pelo terceiro dia consecutivo, diante do avanço das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. Pela manhã, o presidente Donald Trump relatou que o Irã informou não estar cobrando pedágio de embarcações que transitam pelo estreito de Ormuz. O contrato do WTI para agosto, referência de preços para a economia americana, recuou 3,92%, a US$ 70,34 o barril, com mínima abaixo de US$ 70. Já o Brent para setembro caiu 3,81%, a US$ 73,87.

As taxas dos Treasuries recuaram na esteira do alívio nos preços da commodity, o que ameniza temores inflacionários. Investidores aguardam a divulgação, nesta quinta-feira, 25, do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) — medida de inflação preferida pelo Fed — para calibrar as apostas em torno da política monetária americana.

“Os mercados já precificam praticamente três altas de juros nos Estados Unidos até o final do ano. A atenção se volta agora para o PCE. A expectativa é de um resultado acima de 4% em termos anualizados, reforçando a percepção de que a inflação americana voltou a acelerar e exigirá uma resposta mais firme da autoridade monetária”, afirma o economista Paulo Gala, professor da FGV-SP, em relatório.

Além da perspectiva de aperto monetário nos EUA, que favorece o fortalecimento global da moeda americana, o coordenador de alocação e inteligência da Avenue, Bruno Yamashita, pontua que o real também sofre com o movimento de rotação de carteiras para países emergentes ligados à inteligência artificial (IA), como Coreia do Sul e Taiwan. “Além disso, a queda do petróleo é negativa para a balança comercial e a atividade econômica no Brasil. Esses fatores juntos levam a um dólar mais forte”, afirma Yamashita.

A perda de fôlego do real em junho ocorre apesar de evidências de entrada de dólares no País. À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total em junho, até a última sexta-feira, 19, está positivo em US$ 8,196 bilhões, com entradas líquidas de US$ 6,697 bilhões pelo comércio exterior e de US$ 1,498 bilhão pelo canal financeiro, que reúne investimentos diretos e em carteira.