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Governo e Câmara criarão grupo de trabalho para discutir ampliação do Simples
Relator afirma que atualização do teto do MEI para R$ 140 mil está pacificada, mas debate sobre o Simples Nacional ainda envolve cálculos de impacto fiscal e compensações.
O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), relator do projeto de lei complementar que atualiza o teto do microempreendedor individual (MEI), afirmou nesta terça-feira (23) que será criado um grupo de trabalho com representantes do governo e parlamentares para discutir a ampliação do Simples Nacional.
Goetten se reuniu, na tarde desta terça-feira, com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. O projeto que atualiza os limites de faturamento do MEI e do Simples foi apresentado como uma contrapartida à votação da proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais. O texto está parado no Senado desde o fim de maio.
Segundo o deputado, a atualização do teto do MEI para até R$ 140 mil já está pacificada com o governo. A mudança deve ocorrer de forma escalonada em 2027 e 2028 e ser formalizada em uma proposta a ser enviada nesta quarta-feira (24), de acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Goetten avalia, no entanto, que a criação do grupo de trabalho pode adiar a apresentação da proposta do governo.
“Quanto aos MEIs, já está pacificado isso. Quanto à possibilidade de os MEIs contratarem mais um funcionário também”, disse. “Mas ele também se dispôs a sentar com sua equipe, e sua equipe sentar com os consultores da Câmara, que têm feito um trabalho fenomenal, para nós encontrarmos um caminho de atualizar o Simples também.”
O parlamentar afirmou que as conversas do grupo de trabalho devem começar nos próximos dias. Depois, haverá uma nova rodada de negociação com a participação de Hugo Motta.
Para esta quinta-feira (25), está prevista outra reunião no Ministério do Planejamento para discutir cálculos de renúncia fiscal envolvendo o Simples e eventuais compensações. O Ministério da Fazenda estima o impacto em R$ 50 bilhões ao ano.
Para Goetten, porém, não se trata de renúncia. “Nós entendemos que é atualização, uma reposição da inflação. Mas esse grupo de trabalho vai também estudar compensações até para ser melhor digerido pelo mercado”, afirmou.
O deputado disse ainda que não houve mudança de posição do governo, mas uma preocupação fiscal. “E nós, parlamentares, congressistas, também temos de ter essa responsabilidade fiscal. Eu acho justo, da parte do ministro, essa preocupação que ele tem. Mas isso não impede a gente de dialogar, conversar e construir um relatório de consenso”, declarou.
Goetten também afirmou que considera possível votar a proposta antes do recesso parlamentar. “O importante é nós votarmos até a segunda semana de julho, até o recesso”, disse.
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