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EUA e Irã negociam na Suíça sob pressão da guerra no Líbano

Teerã condiciona avanço de acordo amplo ao fim dos conflitos; Trump volta a ameaçar ataque contra o Irã

Agência Brasil 21/06/2026
EUA e Irã negociam na Suíça sob pressão da guerra no Líbano
Delegações dos EUA e do Irã se reúnem na Suíça em meio à guerra no Líbano

Representantes dos Estados Unidos (EUA) e do Irã realizaram, neste domingo (21), na Suíça, a primeira reunião de negociações após a assinatura de um memorando de entendimento para um acordo de paz abrangente no Oriente Médio.

Com duração de 80 minutos, o encontro ocorreu em meio ao impasse da guerra no Líbano entre o Hezbollah e Israel. A delegação iraniana afirmou aos norte-americanos que o acordo final só poderá ser alcançado com o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o território libanês.

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Após Israel atacar o Líbano no sábado (20), o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, que, de acordo com o memorando de entendimento, deveria permanecer com tráfego livre pelos próximos 60 dias.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a reunião na Suíça teve como objetivo implementar os acordos previstos no memorando. Ele destacou a necessidade de encerrar o conflito no Líbano.

“Sem a implementação dessas disposições, especialmente o parágrafo 1, que trata do encerramento da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, não é possível prosseguir para a fase de negociação do acordo final”, disse o porta-voz, em uma rede social.

Baqaei informou ainda que foram discutidas isenções para a exportação de petróleo do Irã, atualmente bloqueadas por sanções dos EUA, além de medidas para a liberação de fundos iranianos congelados no exterior, também alvo de sanções econômicas.

Trump ameaça Irã

Em meio às negociações na Suíça, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar bombardear o Irã e responsabilizou o Hezbollah pela situação no Líbano.

“O Irã deve impedir imediatamente que seus agentes bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!”, declarou o presidente estadunidense.

O chefe do Parlamento iraniano, MB Ghalibaf, que lidera as negociações na Suíça, reagiu à declaração de Trump.

“Não levamos em conta as ameaças dos americanos. É melhor que tomem cuidado com suas declarações; nossas forças armadas estão prontas para responder de outra maneira. Por mais que falem, somos nós que agimos”, respondeu Ghalibaf, também em uma rede social.

Antes da ameaça de Trump, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, chefe da delegação da Casa Branca na Suíça, havia afirmado que as negociações registraram “grande progresso” nos últimos dias. Ele demonstrou otimismo na “diplomacia” como caminho para “transformar” o Oriente Médio.

“O que o presidente Trump nos pediu foi que virássemos a página, que transformássemos nosso relacionamento com o povo do Irã”, disse Vance a jornalistas antes da reunião com a delegação iraniana.

Israel promete manter ocupação no Líbano

Enquanto o Irã cobra dos EUA pressão sobre Israel para que o aliado deixe o Líbano, o governo de Tel Aviv mantém a posição de que o Exército israelense permanecerá no sul do território libanês.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o país tem liberdade para agir no Líbano “sem restrições” para eliminar “ameaças”, com a manutenção de tropas no território.

“Como o primeiro-ministro Netanyahu e eu esclarecemos, Israel não se retirará da zona de segurança no Líbano”, afirmou Katz, em uma rede social.

Hezbollah

O grupo político-militar libanês Hezbollah afirmou, também neste domingo, que qualquer violação relacionada à ocupação de Israel no Líbano será respondida pela organização.

O secretário-geral do grupo xiita, Sheikh Naim Qassem, divulgou comunicado defendendo que Israel deve deixar o Líbano.

Qassem ressaltou que os Estados Unidos são capazes, se quiserem, de obrigar Israel a interromper suas agressões. Segundo ele, é o apoio dos EUA que permitiu o avanço da ocupação israelense no território libanês.