Geral
Ibovespa destoa de NY e cai sob cautela com Copom e busca por ações de IA
Índice fechou em leve queda de 0,10%, aos 168.277 pontos, pressionado por ruídos na comunicação do BC e pela rotação global para ativos de tecnologia.
Correção: no texto publicado na quinta-feira, 18, constou de forma incorreta o sobrenome do especialista em renda variável da Manchester Investimentos. O correto é Felipe Cima, e não Cunha. Segue a versão corrigida.
O Ibovespa operou de lado e ficou aquém da alta observada em Wall Street, pressionado pela falta de clareza sobre as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela rotação global de ativos, novamente concentrada em ações de tecnologia e inteligência artificial (IA). A Bolsa brasileira, por sua vez, tem composição majoritariamente ligada a commodities.
O noticiário externo foi menos adverso, com o Irã confirmando aval para a assinatura de um memorando de entendimento com os Estados Unidos e para a passagem gratuita pelo Estreito de Ormuz, embora sob rotas e horários específicos.
Após atingir máxima de 169.542,37 pontos, em alta de 0,65%, pela manhã, o Ibovespa renovou mínima à tarde, aos 167.910,63 pontos, com recuo de 0,32%. Ao fim do pregão, reduziu as perdas e fechou aos 168.277,55 pontos, em baixa de 0,10%, à medida que as ações da Petrobras inverteram o sinal para o positivo: ON subiu 0,14% e PN avançou 0,73%. O petróleo encerrou sem direção única. Vale, com alta de 0,20%, também ajudou a conter a queda, enquanto os grandes bancos recuaram, com exceção de Banco do Brasil ON, que subiu 0,62%.
Embora o Copom tenha entregue na quarta-feira um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, conforme esperado, operadores do mercado financeiro destacaram que a comunicação do Banco Central gerou ruído. O debate gira em torno da possibilidade de o BC tratar o centro da meta de inflação, de 3%, como um piso.
Chamou a atenção o trecho do comunicado que cita projeções de inflação “abaixo da meta” no primeiro trimestre de 2028, horizonte que só seria relevante na reunião de agosto, para justificar a flexibilização monetária.
A diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, afirma que o BC sugere que “a meta de 3% funciona como piso efetivo, não como centro: desvios para cima são tolerados; desvios para baixo, ainda que hipotéticos, são evitados”. Para ela, se essa leitura se consolidar, as expectativas podem deixar de se ancorar em 3%.
Pesquisa Projeções Broadcast mostra que a comunicação reforçou a aposta em um último corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto. Economistas mencionam a expectativa de que a ata da autoridade monetária, prevista para a próxima terça-feira, 23, suavize o ruído deixado pelo comunicado, detalhando a leitura do BC sobre a trajetória de juros e inflação, com menção ao próximo horizonte relevante.
Enquanto isso não acontece, operadores de renda variável avaliam que é natural, especialmente após o tom mais duro do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira, um retorno do fluxo estrangeiro para ativos americanos. Esse movimento também foi percebido na valorização do dólar no pregão.
“Acho que, até por conta do Fed lá fora, o dólar global está mais apreciado. Vamos ter juros altos por mais tempo, e isso pode atrair recursos para lá. Por consequência, impactou negativamente a Bolsa”, afirma o head de renda variável da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno.
Segundo ele, o mercado brasileiro opera com volume baixo e segue dependente do investidor estrangeiro. No momento, há “um movimento de venda de emergentes, voltando para os Estados Unidos, principalmente para empresas de tecnologia e de IA”, diz Moliterno, ao destacar que o Ibovespa, diferentemente, é mais concentrado em commodities.
O petróleo fechou em direções opostas nesta quinta-feira, enquanto o mercado acompanhou o movimento de navios pelo Estreito de Ormuz após a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã. A commodity operou com volatilidade perto do fechamento, recuperando-se das mínimas, enquanto o contrato do Brent passou a operar em alta.
O especialista em renda variável da Manchester Investimentos, Felipe Cima, também destaca o tom da comunicação do Fed. Embora o Banco Central americano tenha mantido os juros na quarta-feira, a sinalização foi de que pode haver taxas mais altas adiante. Somado ao temor de pautas-bomba no Congresso brasileiro, esse cenário faz o mercado doméstico operar com um “pessimismo dominado por um desânimo”, avalia.
Moliterno, da Veedha Investimentos, também cita questões eleitorais e fiscais como pontos de atenção para o investidor, com viés recentemente mais negativo para a Bolsa.
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