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Brasil e Quênia defendem parcerias com a China em cúpula do G7

Lula e William Ruto afirmam que investimentos chineses representam oportunidade para países em desenvolvimento

Agência Brasil 18/06/2026
Brasil e Quênia defendem parcerias com a China em cúpula do G7
Lula e líderes do G7 debatem economia global em cúpula com Brasil e Quênia

Convidados a participar da cúpula do G7, na França, Brasil e Quênia defenderam as parcerias firmadas por países em desenvolvimento com a China, em meio às críticas de líderes das potências ocidentais a Pequim.

Um dos documentos do encontro afirma que a economia do gigante asiático estaria “desequilibrando” a economia internacional, com impactos sobre a Europa e os Estados Unidos.

Em reunião com os presidentes do G7, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente do Quênia, William Samoei Ruto, sustentaram que as parcerias com a China atendem aos interesses de países latino-americanos e africanos, sobretudo diante de acordos considerados vantajosos do ponto de vista econômico.

Lula afirmou aos líderes do G7 que aquilo que as potências veem como ameaça — a economia chinesa — é visto pelos países em desenvolvimento como oportunidade.

O presidente brasileiro argumentou que, atualmente, os chineses estão entre os principais investidores na África e na América Latina, enquanto europeus e norte-americanos não têm apresentado a mesma presença para competir com Pequim.

O G7 reúne países considerados entre os mais desenvolvidos do mundo: França, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Japão, Itália e Canadá. Além de Brasil e Quênia, também participaram como convidados representantes da Índia, Coreia do Sul e Egito.

O presidente Queniano, por sua vez, afirmou aos chefes de Estado do G7 que a China é o parceiro disponível para o seu país e que é melhor manter Pequim como parceira do que não contar com essa cooperação.

Nos últimos 20 anos, a África tem aproveitado a ascensão econômica da China para progresso no próprio desenvolvimento, especialmente por meio de parcerias em infraestrutura de transporte, energia e indústria.

Na América Latina, a China se tornou, nos últimos anos, o principal parceiro comercial da maioria dos países da região. Nesse contexto, o atual governo dos Estados Unidos reafirmou que Washington deve afirmar sua “proeminência” na América Latina diante da crescente influência chinesa.

Desequilíbrio macroeconômico

Em um dos documentos aprovados no G7, que trata dos desequilíbrios da economia mundial, as potências ocidentais apontam que a China, com superávit de US$ 1,2 trilhão em 2025 e consumo considerado “cronicamente” baixo, estaria prejudicando a balança comercial dos Estados Unidos e da Europa.

“O aumento dos déficits e superávits excessivos em conta corrente reflete uma dinâmica de crescimento cada vez mais desequilibrada na China, na União Europeia (UE) e nos Estados Unidos (EUA)”, diz o texto do G7.

O grupo também expressou preocupação “crescente” com “desequilíbrios em setores mais específicos, como terras raras, veículos elétricos e outros” da China. Pequim tem liderado o comércio nesses segmentos.

O documento do G7 ainda critica a desvalorização do renminbi (RMB), a moeda chinesa, medida que favoreceria as exportações do país no comércio global.

“A China responde por quase toda a valorização efetiva real do euro desde 2021”, afirma o documento, acrescentando que “uma maior flexibilidade na taxa de câmbio do RMB ainda seria interessante”.

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China comenta

Questionado por jornalistas sobre as críticas do G7 ao setor de terras raras e minerais críticos da China, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país afirmou que as práticas chinesas estão de acordo com as normas internacionais.

“Exortamos o G7 a observar com seriedade os princípios da economia de mercado e as regras do comércio internacional, e a parar de perturbar a ordem comercial internacional com regras criadas por um pequeno grupo”, afirmou Lin Jian , nesta quinta-feira (18).

Brasil assina três documentos no G7

Dos novos documentos firmados no G7, o Brasil assinou três: o que aborda medidas de combate ao câncer; o que trata da proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais; e o de combate ao narcotráfico, já que o texto não associa o tráfico de drogas ao terrorismo.

O governo brasileiro entende que essa associação pode ser usada como pretexto para intervenções estrangeiras no país.

Os demais documentos não foram acordados pelo Brasil porque, na avaliação do Palácio do Planalto, os textos apresentados contêm uma “visão de mundo” própria do G7, diferente da perspectiva com que um país em desenvolvimento poderia concordar.