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BCE prevê inflação acima da meta por período prolongado, diz Philip Lane

Economista-chefe do Banco Central Europeu defendeu a recente alta de juros e afirmou que a instituição está pronta para agir novamente, se necessário

Estadao Conteudo 18/06/2026
BCE prevê inflação acima da meta por período prolongado, diz Philip Lane
Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt - Foto: © ANSA/EPA

O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, afirmou nesta quinta-feira (18) que a instituição prevê um período prolongado de inflação acima da meta. Ele também defendeu a recente elevação dos juros, considerada apropriada mesmo diante da possibilidade de um cenário econômico mais brando, em meio a avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã.

Segundo Lane, o BCE permanece concentrado na estabilidade de preços e está preparado para adotar novas medidas, caso necessário. “Nosso trabalho é estabilizar os preços. Se for preciso agir nos juros para isso, agiremos”, declarou durante evento do Deutsche Bank.

O dirigente classificou o ambiente atual como um “choque de magnitude média” e afirmou que a alta dos juros anunciada na semana passada teve como objetivo conter a transmissão dos efeitos do choque energético para o restante da economia. Ao mesmo tempo, destacou que a autoridade monetária está disposta a tolerar choques temporários que não produzam impactos persistentes.

Lane avaliou que, apesar da recente queda nos preços do petróleo, os alimentos devem continuar exercendo pressão sobre a inflação. “Mesmo com a queda do petróleo, acreditamos que os preços dos alimentos continuarão subindo”, disse.

Sobre a atividade econômica, o economista-chefe afirmou que a economia da zona do euro “está indo bem”, sustentada por um mercado de trabalho resiliente. De acordo com ele, o emprego segue estável e a renda real continua em trajetória de avanço.

Lane também sinalizou uma mudança na avaliação do BCE sobre a taxa de juros neutra. Segundo ele, o limite superior da faixa considerada neutra passou para 2,5%, ante 2,25% anteriormente. Ainda assim, ressaltou que o banco central não pretende “alterar os juros de maneira brusca”.